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Ferrugem asiática sob controle no PR

A safra 2016/17 está marcada como a primeira em que o Paraná proíbe a plantação da chamada soja safrinha a partir do dia 1º de janeiro, prática até então comum e utilizada em muitas regiões, com produtores que apostavam na oleaginosa de forma sequencial numa mesma área. O objetivo da portaria 193 é, em curto prazo, reduzir a incidência da ferrugem asiática nas lavouras do Estado, além da diminuição de aplicação de fungicidas, garantindo assim uma maior eficácia dos defensivos ao longo dos próximos anos.
Até o momento, pelo que parece, a estratégia já traz resultados importantes. De acordo com números do Consórcio Antiferrugem - uma parceria público privada que vislumbra o mapeamento e combate à doença - são 23 casos registrados no Paraná, situação considerada pelos especialistas como controlada. No ano passado, as chuvas trazidas pelo fenômeno El Niño deram um ritmo maior ao fungo. Entretanto, vale ressaltar que o período entre dezembro e janeiro é o mais propício para a disseminação dos esporos e os produtores devem ficar atentos.
A pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Vieira Godoy, relata que a safra anterior sofreu com a agressividade da ferrugem devido ao El Niño, que fez com que a doença entrasse mais cedo nas lavouras. "Este ano, já notamos a incidência da ferrugem em diversas regiões. Mas está mais tranquilo, sem nenhuma lavoura perdida", relata.
No que diz respeito à proibição de soja no Estado a partir do dia 1º de janeiro, a pesquisadora explica que quanto mais tarde se semeia a oleaginosa, mais aplicações de fungicidas são necessárias, o que ao longo prazo fará com que os defensivos percam seu poder de controle sobre a doença (veja box). "A medida é importante porque reduz o número de aplicações, já que justamente essa soja tardia que precisa de mais controle".

Paraná Cooperativo Sistema Ocepar/AEN
Paraná Cooperativo Sistema Ocepar/AEN - Quanto mais tarde se planta a soja, mais aplicações de fungicidas são necessárias para controlar a doença
Quanto mais tarde se planta a soja, mais aplicações de fungicidas são necessárias para controlar a doença


Nas áreas onde o plantio é mais cedo, produtores podem acabar realizando apenas uma aplicação e, em alguns casos específicos, nenhuma. Agora, nos casos em que a soja ainda está florescendo, cuja colheita será entre março e abril, serão necessárias até três aplicações. Na soja safrinha, agora proibida, houve casos no ano passado em que foram feitas seis aplicações de fungicidas. "Funciona da seguinte forma: na soja que está sendo colhida, como o residual de fungicida acaba, ela começa a multiplicar muitos esporos (da ferrugem) a aumentar a pressão do fungo na soja mais nova, que ainda está na lavoura".
Apesar do menor perigo nesta safra, a pesquisadora da Embrapa Soja salienta que é sempre importante o produtor ficar atento. Apesar do pequeno número de casos, há focos em todas as regiões do Estado, o que indica a presença de esporos, disseminados facilmente pelo vento. "Se eu fosse produtora, a partir deste momento eu protegeria minha soja, porque o clima está favorável à ferrugem. As chuvas frequentes favorecem bastante a doença. Se quiser, é possível fazer um controle preventivo neste momento, sem gastar muito com fungicida", conta.
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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