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Na laranja, do receio inicial a um futuro promissor

A jornada da FOLHA pelas terras do Noroeste continua em busca de produtores que aprovaram a utilização do lodo nas propriedades e estão na expectativa de resultados de produtividade daqui em diante. A parada agora é na área da família Fracassi. Mesa posta para o almoço: pururuca quentinha e o frango caipira para receber a reportagem na casa de José e Vanilde Fracassi, que junto com o filho Tiago, trabalham há mais de uma década com a produção de citrus e algumas áreas arrendadas de soja.

José relembra quando o engenheiro agrônomo da Emater, Ricardo Augusto da Silva, chegou há dois anos com a ideia de aplicar lodo de esgoto nas áreas de laranja. "Na época, fiquei com o pé atrás. A gente achava que o lodo teria mal cheiro, que seria ruim de espalhar pela área, mas não foi nada disso. Aplicamos então aproximadamente 120 toneladas numa área de 21 hectares, em pomares já formados e produtivos."

À princípio, o produtor relata que o pomar está bonito, bem carregado, e o lodo veio para auxiliar na fertilização da terra. Até aqui, ele não cita uma evolução significativa que o subproduto da Sanepar trouxe para sua lavoura, mas acredita que os resultados virão em safras posteriores.

De qualquer forma, ele salienta que o projeto é importante, porque fortalece - além dos produtores - também a companhia de abastecimento do Estado. "O lodo é bom para os dois lados, tanto para Sanepar que agora tem um lugar para se desfazer desse produto e para nós que recebemos ele de graça. A produtividade ainda está muito parecida, mas acredito que em dois ou três anos vai melhorando a terra. Não tirei nenhum fertilizante, é uma aplicação a mais que estou fazendo."

As contas para manter os pomares de três variedades de laranja (pera rio, natal e folha murcha) bem produtivos não são nada baixas. O investimento é em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil por alqueire (2,42 hectare), sendo que desse montante R$ 4 mil é destinado apenas para fertilizantes. "Se o lodo fizer meu gastos com fertilizantes caírem em 50%, de R$ 4 mil para R$ 2 mil, já vai estar de bom tamanho", relata José.

Com o lodo ajudando e a família animada, a expectativa é que a laranja ganhe cade vez mais espaço nas áreas dos Fracassi. José planeja aumentar o número de 8,6 mil pés para 12 mil pés e, gradativamente, deixar a soja de lado. "A despesa por pé é de R$ 25 a R$ 30, mas depois a rentabilidade é de R$ 50, ou seja, R$ 20 de lucro por pé, ou R$ 20 mil por alqueire. No caso da soja, o faturamento é de R$ 3 mil por alqueire. Para nós que temos áreas menores, é muito bom", complementa ele, que tem a produção comprada pela Louis Dreyfus, antiga Cocamar. (V.L.).


Victor Lopes
Reportagem Local(FOLHA DE LONDRINA)





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