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Paraná é o 5º Estado com mais acidentes aéreos fatais


 Dados do Painel Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à Aeronáutica, mostram que 30 acidentes aéreos fatais foram registrados no Paraná nos últimos dez anos – média de três acidentes com mortes ao ano.  


O número de desastres envolvendo aviões de pequeno porte ficou em evidência no País após a morte da cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas em acidente com a aeronave da artista na Serra de Caratinga, no interior de Minas Gerais, na sexta-feira (5).  


Os anos com o maior volume de acidentes fatais foram 2011 e 2012, com seis ocorrências do tipo cada em território paranaense, o dobro da média registrada nos últimos dez anos. 


As estatísticas posicionam o Paraná como o quinto Estado brasileiro com o maior número de acidentes aéreos fatais desde 2011, atrás somente de São Paulo (76 acidentes fatais), Mato Grosso (46), Minas Gerais (42) e Pará (36). A Aeronática não tem o balanço da quantidade de mortes. 

 

Em 2016, um monomotor atingiu uma Kombi que passava pela rodovia Carlos João Strass, no distrito da Warta: ocorrência provocou a morte de seis trabalhadores rurais
Em 2016, um monomotor atingiu uma Kombi que passava pela rodovia Carlos João Strass, no distrito da Warta: ocorrência provocou a morte de seis trabalhadores rurais | Segundo a Aeronáutica, houve 30 ocorrências do tipo nos últimos dez anos em território paranaense
 


Entre os 30 acidentes aéreos fatais registrados no Paraná nos últimos dez anos, três deles ocorreram em Londrina - mais de 10% do total: em 2011, 2012 e 2016. Nos outros oito anos (entre 2013 e 2015 e entre 2017 até hoje), não houve registros oficiais. 


Há mais de cinco anos Londrina não registra acidentes aéreos com vítimas fatais em seu território.  


Em janeiro de 2016, um monomotor atingiu uma Kombi que passava pela rodovia Carlos João Strass (PR-545), no distrito da Warta, na zona norte de Londrina. A ocorrência provocou a morte de seis trabalhadores rurais. 


O avião decolou do Aeroporto 14 Bis, que fica à margem da rodovia, com destino ao interior de São Paulo. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, a aeronave apresentou problemas e o piloto Bruno Nobre da Costa, 28, tentou retornar para a pista. 

 

A cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas em acidente com a aeronave da artista na Serra de Caratinga, no interior de Minas Gerais, na sexta-feira (5)
A cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas em acidente com a aeronave da artista na Serra de Caratinga, no interior de Minas Gerais, na sexta-feira (5) | Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/AFP
 




Testemunhas disseram aos policiais rodoviários que o monomotor começou a perder altitude e atingiu a Kombi que passava pela rodovia. O piloto ainda tentou desviar do carro, mas não conseguiu.  


Com o impacto da batida, a aeronave pegou fogo e ficou destruída. A kombi, que pertencia a uma empresa de pintura e transportava trabalhadores rurais, também ficou danificada pelo fogo. O piloto do avião sobreviveu. 


Acidentes do tipo são investigados por técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão ligado à Força Aérea Brasileira. 


CAMBÉ 

Outra ocorrência grave foi registrada na noite de 31 de julho de 2016, quando oito pessoas morreram na queda de um avião de médio porte, em Cambé, quase da divisa com Londrina. 


Na ocasião, um problema mecânico teria sido comunicado à torre do aeroporto Governador José Richa pelo piloto do Embraer 820 Navajo prefixo PT-EFQ, Antônio Viçoti. O avião explodiu após colidir contra o barracão de uma transportadora. 


Testemunhas contam que a aeronave perdeu altitude, encostou na fiação elétrica e caiu no barracão. Do lado de dentro havia apenas um caminhão, mas o impacto foi tão forte que o avião explodiu e o lugar foi tomado pelo fogo. 


As oito pessoas que estavam a bordo da aeronave – cinco adultos, um adolescente e duas crianças – morreram na hora. Eles eram familiares do presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Celetistas nas Cooperativas no Brasil, Mauri Viana. O grupo decolou de Cuiabá (MT) e pousaria em Londrina. 


De acordo com informações do superintendente da federação, Rafael Miguel, o modelo Navajo prefixo PT-EFQ havia passado por uma manutenção havia apenas cinco dias em uma oficina em São José do Rio Preto (SP). A aeronave pertencia à federação. 


INVESTIGAÇÕES 

O instrutor de voo do Aeroclube de Londrina, Samuel Migliorini, explica que as investigações de acidentes aéreos têm o principal objetivo de entender as causas e, a partir dos dados apurados, renovar os processos de maneira que sejam evitados novos acidentes. “As investigações não têm como objetivo atribuir culpa”, explica. 

 

Segurança de voo é tema essencial 

O instrutor de voo do Aeroclube de Londrina, Samuel Migliorini, explica que a segurança é um tema essencial na formação dos pilotos, fazendo parte da grade curricular de todos os cursos. “Esse tema sempre está sendo revisto, reciclado”, pontua. 

Hoje o Aeroclube oferta três cursos: piloto privado, piloto comercial e comissário de voo. O curso de piloto privado tem uma parte teórica de quatro meses e o piloto tem 40 horas práticas de voo cumpridas, em média, durante 60 dias. “Nesse curso o aluno pode voar com a própria aeronave, ou seja, não pode exercer atividade remunerada”, explica. 

O curso de piloto comercial, por sua vez, habilita os participantes a exercer atividade remunerada. Para fazer esse curso, é preciso inicialmente ter concluído o curso de piloto privado. 

A parte teórica para piloto comercial dura cerca de cinco meses e a parte prática é composta por 110 horas de voo, cumpridas durante 10 meses, em média. Ao final, o participante terá 150 horas práticas de voo, somando com as cumpridas no curso de piloto privado. 

O curso de comissário de voo tem duração de 3 meses, já com as atividades práticas inclusas. “O mercado vinha numa crescente forte até a pandemia, depois houve uma queda, mas agora as perspectivas para contratação de pilotos são bem positivas com a reabertura das fronteiras”, conclui o instrutor.  

Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Paraná dispõe de uma frota atual de 1.769 aviões privados registrados. Mais informações sobre os cursos do Aeroclube de Londrina: (43) 3325-8751. 

Já a Unopar é a única instituição de ensino superior no interior do Paraná a oferecer o curso de Ciências Aeronáuticas. Ofertado desde o ano 2000, o curso tem a duração de três anos, nos períodos matutino e noturno.  

O curso é reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação) e envolve as áreas das ciências exatas e humanas. Os graduandos têm acesso a disciplinas como meteorologia aeronáutica, navegação aérea, regulamentos de tráfego aéreo, teoria de voo, conhecimentos técnicos de aeronaves, entre outras.  

Conteúdos são essenciais para a formação de um profissional que poderá atuar em diversas funções, como piloto de aeronaves em companhias aéreas, aviação executiva, instrutor de voo, profissional qualificado em manutenção de aeronaves, infraestrutura aeroportuária, segurança de voo, entre outras.  

Além do corpo profissional, o curso dispõe de uma estrutura de laboratórios de Simulação de Voo, Performance e Aerodinâmica e Estrutura de Aeronaves e Motores. 

 

Acidente de 1969 foi o mais grave 

Na tarde de 14 de setembro de 1969, foi registrado o mais grave acidente aéreo em Londrina. A aeronave da Vasp, com 14 passageiros e seis tripulantes, decolou com destino a São Paulo. Perto de Ourinhos (SP), o piloto decidiu retornar a Londrina, já que o tempo na capital paulista estava fechado. 

Uma pane no motor esquerdo causou preocupação. Após o contato com a torre de controle, bombeiros aguardaram o pouso. No entanto, o retorno não ocorreu como esperado. Próximo à pista, a aeronave arremeteu. Após uma curva, o avião caiu sobre o Horto Florestal.  

No local, 19 pessoas morreram carbonizadas. Um comissário de bordo foi encontrado cerca de dez metros adiante do local do impacto. Ele foi encaminhado para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos. 


Lucas Catanho - Especial para a FOLHA DE LONDRINA

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