Enfrentando a barreira da linguagem de sinais
Curso de libras direcionado a
professores tem baixa adesão; capacitação é essencial para inclusão de
alunos surdos-mudos nas escolas

Segundo a pedagoga Gabriele
Cristine Rech, uma das maiores dificuldades dos alunos é o acesso à
língua de sinais, que muitas vezes ocorre de forma tardia
Londrina – Foi baixa a adesão
dos professores das redes municipal e estadual de ensino ao curso de
libras ofertado de forma gratuita pela Universidade Tecnológica Federal
do Paraná (UTFPR). As aulas começaram ontem, mas apenas 20 profissionais
se inscreveram. Foram disponibilizadas 50 vagas no total.
Uma das responsáveis pelo curso de libras, a pedagoga Gabriele Cristine Rech reforçou a importância da capacitação para os docentes. "As maiores dificuldades dos alunos surdos-mudos são o acesso à língua de sinais, que muitas vezes ocorre de forma tardia, e a falta de metodologia para o ensino da língua portuguesa, por exemplo. Isso compromete a leitura e a escrita", destacou Gisele, que é especialista em libras e mestre em linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atua como intérprete há 17 anos.
A pedagoga conta que já acompanhou estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental e jovens que frequentam o ensino superior. Cada fase apresenta desafios bem específicos, segundo ela. Nas séries iniciais, os intérpretes acabam atuando como professores, já que este é o primeiro contato do aluno com a escola. Nos cursos superiores, ela explicou que é preciso criar sinais para explicar termos técnicos e repassar os conteúdos da forma adequada. Nesta fase, é preciso que o intérprete se esforce para entender assuntos diversos. "O ideal é que os próprios professores se capacitem. Ninguém interpreta aquilo que não entende", explicou.
A professora Simone Aparecida de Oliveira foi uma das docentes que decidiu participar e aproveitar a oportunidade. Ela atua há 14 anos nas redes municipal e estadual de ensino e há dois anos se deparou com o desafio de ensinar os conteúdos para um aluno surdo-mudo. "Foi uma experiência ótima. Ele era meu estudante do ensino médio e tinha uma intérprete nas aulas. Ao longo do ano, ela precisou faltar algumas vezes e os próprios colegas conseguiram me ajudar a ensinar. Também aprendi alguns sinais", comentou.
Há dez anos na rede estadual de ensino, a professora de história Maria de Lourdes Prezotto foi convidada a fazer parte do quadro de docentes do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles). A pós-graduada em educação especial contou que teve que reaprender a dar aulas. "No primeiro dia eu fiquei apavorada, tive vontade de sair correndo. Os próprios alunos achavam que isso não daria certo. Mas, com o tempo fomos convivendo e trocando experiências. Me apaixonei por eles", disse, realizada. Para ela, a inclusão dos surdos-mudos nas salas regulares é uma proposta viável a longo prazo e que depende de investimentos do governo do Estado.
O curso oferecido pela UTFPR é subsidiado pelo Ministério da Educação (MEC) e tem um total de 60 horas, sendo dez encontros presenciais aos sábados pela manhã e 20 horas de atividades a distância com leitura de artigos e a indicação de filmes sobre inclusão. A capacitação termina no dia 14 de dezembro. As inscrições continuam abertas e podem ser feitas no Departamento de Educação da UTFPR ou pelo telefone (43) 3315-6129.
Uma das responsáveis pelo curso de libras, a pedagoga Gabriele Cristine Rech reforçou a importância da capacitação para os docentes. "As maiores dificuldades dos alunos surdos-mudos são o acesso à língua de sinais, que muitas vezes ocorre de forma tardia, e a falta de metodologia para o ensino da língua portuguesa, por exemplo. Isso compromete a leitura e a escrita", destacou Gisele, que é especialista em libras e mestre em linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atua como intérprete há 17 anos.
A pedagoga conta que já acompanhou estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental e jovens que frequentam o ensino superior. Cada fase apresenta desafios bem específicos, segundo ela. Nas séries iniciais, os intérpretes acabam atuando como professores, já que este é o primeiro contato do aluno com a escola. Nos cursos superiores, ela explicou que é preciso criar sinais para explicar termos técnicos e repassar os conteúdos da forma adequada. Nesta fase, é preciso que o intérprete se esforce para entender assuntos diversos. "O ideal é que os próprios professores se capacitem. Ninguém interpreta aquilo que não entende", explicou.
A professora Simone Aparecida de Oliveira foi uma das docentes que decidiu participar e aproveitar a oportunidade. Ela atua há 14 anos nas redes municipal e estadual de ensino e há dois anos se deparou com o desafio de ensinar os conteúdos para um aluno surdo-mudo. "Foi uma experiência ótima. Ele era meu estudante do ensino médio e tinha uma intérprete nas aulas. Ao longo do ano, ela precisou faltar algumas vezes e os próprios colegas conseguiram me ajudar a ensinar. Também aprendi alguns sinais", comentou.
Há dez anos na rede estadual de ensino, a professora de história Maria de Lourdes Prezotto foi convidada a fazer parte do quadro de docentes do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles). A pós-graduada em educação especial contou que teve que reaprender a dar aulas. "No primeiro dia eu fiquei apavorada, tive vontade de sair correndo. Os próprios alunos achavam que isso não daria certo. Mas, com o tempo fomos convivendo e trocando experiências. Me apaixonei por eles", disse, realizada. Para ela, a inclusão dos surdos-mudos nas salas regulares é uma proposta viável a longo prazo e que depende de investimentos do governo do Estado.
O curso oferecido pela UTFPR é subsidiado pelo Ministério da Educação (MEC) e tem um total de 60 horas, sendo dez encontros presenciais aos sábados pela manhã e 20 horas de atividades a distância com leitura de artigos e a indicação de filmes sobre inclusão. A capacitação termina no dia 14 de dezembro. As inscrições continuam abertas e podem ser feitas no Departamento de Educação da UTFPR ou pelo telefone (43) 3315-6129.
Viviani Costa
Reportagem local - folha de londrina
Reportagem local - folha de londrina

