AS BELEZAS DO PARANÁ - Paisagens retratadas com afeto
Conhecida por pintar as belezas do Paraná, artista plástica Neldy Kalau Gonzales será homenageada esta semana pela Câmara de Vereadores

Filha da primeira artista plástica de Londrina, Neldy já teve vários quadros que retratam perobas e cafezais levados para o exterior: "É um orgulho saber que ajudei a divulgar Londrina mundo afora"
Filha da primeira artista plástica de Londrina, Neldy Kalau Gonzalez herdou o talento da mãe e desde a adolescência tem reproduzido em suas pinturas a paixão que nutre pelas belezas naturais do Paraná. Com mais de 30 mil quadros no currículo, ela recentemente montou uma exposição em homenagem aos 80 anos de Londrina e se prepara para receber esta semana uma das maiores honrarias de sua carreira. Na próxima quarta-feira ela será agraciada com o título de Cidadã Honorária da cidade, que será concedido pela Câmara de Vereados em reconhecimento ao conjunto de sua obra.
"Fiquei surpresa e muito grata com essa homenagem que farão para mim. Nunca imaginei um dia ter a honra de receber esse título", afirma a artista, referindo-se ao projeto proposto pelos vereadores Péricles Deliberador e Edson Moreira.
Nascida em Castro e moradora de Londrina desde 1946, Neldy conta que o afeto que sente pela cidade inspirou sua mais recente exposição, que fica aberta para visitação gratuita até o dia 12 de dezembro, no Shopping Quintino. "O coração bateu forte quando começou a se aproximar o aniversário de oito décadas de Londrina. Então produzi seis telas com imagens de 68 anos atrás que ficaram marcadas em minha memória quando cheguei aqui com minha família", relata Neldy.
Os cenários das telas remetem à época da colonização do município. "Quando cheguei aqui aos 11 anos nenhuma rua era asfaltada e havia muitas perobas rosas e ipês espalhados pelos terrenos. Lembro que eu morava na rua Rio Grande do Norte e depois da aula, junto com algumas amigas, passeava por um imenso perobal que havia onde hoje é a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Busquei retratar essa realidade que vivi com muito entusiasmo", revela.
Naquela época, sua mãe, Amélia Chaiben Kalau, se destacava como a primeira artista plástica de Londrina. "Minha mãe era libanesa e sempre foi muito perfeccionista. Ela dava aula de artes no Colégio Mãe de Deus e ganhou os maiores prêmios do Estado", salienta Neldy, que apesar da referência materna criou um estilo próprio para pintar seus quadros.
"Eu sempre fui muito determinada e dizia para minha mãe que queria desenvolver um jeito meu de trabalhar, que se diferenciasse do estilo dela, que usava óleo sobre tela e pintava santos", argumenta Neldy. A filha então começou a criar uma técnica até então inédita. "Sou autodidata e comecei a pintar quadros espalhando as tintas com uma colher. Durante o período de aprimoramento, que durou três anos, passei a usar uma espátula, criando um efeito tridimensional que destaca o fundo, os efeitos e os relevos presentes nas minhas telas", ressalta.
As famosas araucárias que se tornaram símbolo do Paraná e as coloridas perobas rosas de Londrina acabaram se tornando destaque nos quadros de Neldy, alguns deles exportados para outros países. "Também pintei vários quadros reproduzindo as plantações de cafezais que transformaram a cidade na capital mundial do café. Muitos estrangeiros que vinham visitar parentes em Londrina levavam quadros meus para fora do país. O pessoal da UEL também presenteou com minhas telas vários professores do exterior que vinham participar de eventos por aqui. É um orgulho saber que ajudei a divulgar Londrina mundo afora", salienta.
"A arte nasceu comigo e é como uma terapia para mim. Ela está presente em tudo o que faço e na forma como percebo a vida", enfatiza a artista plástica que anos atrás colocou seu talento a serviço de um grupo de renais crônicos. "Dava aulas gratuitas de pintura e ficava encantada ao vê-los saindo com suas telinhas pintadas com dificuldades por braços já debilitados pela doença. Foi muito gratificante e um dos momentos mais importantes da minha vida", afirma a mais nova cidadã honorária de Londrina.
"Fiquei surpresa e muito grata com essa homenagem que farão para mim. Nunca imaginei um dia ter a honra de receber esse título", afirma a artista, referindo-se ao projeto proposto pelos vereadores Péricles Deliberador e Edson Moreira.
Nascida em Castro e moradora de Londrina desde 1946, Neldy conta que o afeto que sente pela cidade inspirou sua mais recente exposição, que fica aberta para visitação gratuita até o dia 12 de dezembro, no Shopping Quintino. "O coração bateu forte quando começou a se aproximar o aniversário de oito décadas de Londrina. Então produzi seis telas com imagens de 68 anos atrás que ficaram marcadas em minha memória quando cheguei aqui com minha família", relata Neldy.
Os cenários das telas remetem à época da colonização do município. "Quando cheguei aqui aos 11 anos nenhuma rua era asfaltada e havia muitas perobas rosas e ipês espalhados pelos terrenos. Lembro que eu morava na rua Rio Grande do Norte e depois da aula, junto com algumas amigas, passeava por um imenso perobal que havia onde hoje é a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Busquei retratar essa realidade que vivi com muito entusiasmo", revela.
Naquela época, sua mãe, Amélia Chaiben Kalau, se destacava como a primeira artista plástica de Londrina. "Minha mãe era libanesa e sempre foi muito perfeccionista. Ela dava aula de artes no Colégio Mãe de Deus e ganhou os maiores prêmios do Estado", salienta Neldy, que apesar da referência materna criou um estilo próprio para pintar seus quadros.
"Eu sempre fui muito determinada e dizia para minha mãe que queria desenvolver um jeito meu de trabalhar, que se diferenciasse do estilo dela, que usava óleo sobre tela e pintava santos", argumenta Neldy. A filha então começou a criar uma técnica até então inédita. "Sou autodidata e comecei a pintar quadros espalhando as tintas com uma colher. Durante o período de aprimoramento, que durou três anos, passei a usar uma espátula, criando um efeito tridimensional que destaca o fundo, os efeitos e os relevos presentes nas minhas telas", ressalta.
As famosas araucárias que se tornaram símbolo do Paraná e as coloridas perobas rosas de Londrina acabaram se tornando destaque nos quadros de Neldy, alguns deles exportados para outros países. "Também pintei vários quadros reproduzindo as plantações de cafezais que transformaram a cidade na capital mundial do café. Muitos estrangeiros que vinham visitar parentes em Londrina levavam quadros meus para fora do país. O pessoal da UEL também presenteou com minhas telas vários professores do exterior que vinham participar de eventos por aqui. É um orgulho saber que ajudei a divulgar Londrina mundo afora", salienta.
"A arte nasceu comigo e é como uma terapia para mim. Ela está presente em tudo o que faço e na forma como percebo a vida", enfatiza a artista plástica que anos atrás colocou seu talento a serviço de um grupo de renais crônicos. "Dava aulas gratuitas de pintura e ficava encantada ao vê-los saindo com suas telinhas pintadas com dificuldades por braços já debilitados pela doença. Foi muito gratificante e um dos momentos mais importantes da minha vida", afirma a mais nova cidadã honorária de Londrina.
Marcos Roman
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA

