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Reprovação em Londrina é umas das maiores do Paraná

Segundo Inep, taxa entre alunos londrinenses no Ensino Médio é maior do que a de 90% dos municípios do Estado

Lis Sayuri
Para educadora, o ideal seria que as escolas remediassem os problemas no decorrer do ano, com reforço e acompanhamento permanente
Londrina - Dos municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes, Londrina é o que apresentou a maior taxa de reprovação entre os alunos do Ensino Médio em 2013, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão subordinado ao Ministério da Educação (MEC). A FOLHA fez o levantamento entre os 399 municípios do Estado e constatou que em apenas 32 a taxa de reprovação superou a de Londrina, que foi de 17,3%. Em 92% do Paraná, portanto, o desempenho dos alunos do Ensino Médio foi melhor do que o dos londrinenses.

A cidade campeã em reprovação foi Morretes (Litoral), com taxa de 32,9%. São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) teve o segundo pior rendimento entre as maiores cidades do Estado, com 16% de reprovação, seguida por Foz do Iguaçu (15,3%), Maringá e Ponta Grossa (ambas com taxas de 13,9%). Curitiba teve taxa de 12,6%, maior do que a de Cascavel, que ficou em apenas 9,8%.

E se o desempenho não foi bom em Londrina, em alguns municípios de sua região metropolitana a situação também deixou a desejar. Rolândia e Guaraci estão entre as 31 maiores taxas de reprovação do Estado, com 21,4% e 17,7%, respectivamente. Cambé igualou Londrina, com os mesmos 17,3%. Dos 25 municípios que compõem a RML, Pitangueiras (3,1%), Prado Ferreira (6,1%), Assaí (6,3%) e Primeiro de Maio (6,7%) tiveram os melhores índices.

AVALIAÇÃO
É notório o mau aproveitamento dos alunos das escolas públicas no índice do Inep. Em Londrina, a taxa de reprovação nas instituições estaduais e federais foi de 20,7% no Ensino Médio, contra apenas 2,4% nas escolas particulares. A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Lúcia Aparecida Cortez Martins, reconhece o problema, mas diz que é preciso fazer uma leitura contextualizada dos dados. Segundo ela, a alta taxa de reprovação no Ensino Médio registrada no ano passado na cidade é reflexo da queda da evasão escolar nos últimos anos.

"É uma composição de itens que leva a esses números. O que faz essa taxa de reprovação subir é o desempenho dos alunos do período noturno, em que a taxa de evasão nos anos anteriores era alta. Começamos a atuar em cima da evasão, seguramos os alunos, o que fez aumentar a reprovação, porque esses alunos são os que têm mais dificuldades de aprendizagem e também têm muitas faltas", avalia Lúcia.

De fato, segundo o Inep, a taxa de reprovação no Ensino Médio em Londrina cresceu de 2011 para 2013, enquanto a de abandono diminuiu. Em 2011, o percentual de reprovação foi de 16,4%, caiu para 15,9% em 2012 e voltou a subir em 2013, atingindo 17,3%. Já o índice de evasão subiu de 3,2% em 2011 para 4,1% em 2012 e caiu para 1,2% no ano passado.

MAIS PREPARADOS
Para a educadora Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral da ONG Todos Pela Educação, o grande problema verificado no desempenho de alunos do Ensino Médio é a alta taxa de reprovação na segunda série. Segundo ela, as escolas tendem a reter os alunos de pior desempenho para que eles cheguem à terceira série "mais preparados" para concluir o Ensino Médio. "O Ideb está tentando eliminar essa prática. O que se entende é que o bom desempenho é aquele adquirido na idade certa. Ter um bom desempenho tendo reprovado o aluno várias vezes não é o desejado", observa. "Outra questão é mostrar que altas taxas de reprovação levam ao abandono escolar. Um aluno que tenha o histórico de fracasso escolar tem menos probabilidade de encerrar as etapas de ensino e isso vai criando um desestímulo à aprendizagem", prossegue.

No caso de Londrina, o Inep mostrou que a maior incidência de reprovação em 2013 ocorreu na primeira série do Ensino Médio, em que a taxa foi de 24,4%, contra 17,2% na segunda série e 9,5% na terceira. Na avaliação da educadora do movimento Todos Pela Educação, esses dados "são igualmente preocupantes, inclusive porque no Brasil está melhorando o ingresso no Ensino Médio". Só que a taxa de evasão nacional continua alta, ressalva. "Os alunos até entram no Ensino Médio, mas depois abandonam."

Alejandra se mostrou contrária à prática tão comum nas escolas públicas e privadas de intensificar as aulas de reforço escolar no final dos anos letivos como forma de evitar a reprovação. "O ideal seria que as escolas procurassem remediar os problemas de aprendizagem no decorrer do ano, com o reforço escolar, atividades no contraturno, avaliação e acompanhamento permanente", indica.


Diego Prazeres
Reportagem Local
FOLHA DE LONDRINA
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