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Um terço das moradias do PR é inadequada


Estado fica atrás de todos os demais das regiões Sul e Sudeste; no Brasil, índice é de quase 40%

Gustavo Carneiro
Na Vila Marízia, barracos como o de Elias de Oliveira denunciam que o asfalto termina onde começam os problemas sociais
Londrina – Quase um terço das moradias do Paraná é considerado inadequado. A afirmação é da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, apesar do índice considerável, o Paraná tem uma das melhores condições do País, mas fica atrás de todos os estados das regiões Sul e Sudeste.

O levantamento mostra grandes diferenças regionais, o que também ocorre com outros indicadores sociais. As regiões com a maior proporção de moradias inadequadas são Norte (71,8%), Nordeste (54%) e Centro-Oeste (50,3%). Enquanto isso, os menores porcentuais são verificados no Sul (30,6%) e no Sudeste (23,9%). Os três estados da Região Sul possuem índices parecidos, mas o Paraná aparece pouco à frente, com 31,2% de moradias inadequadas, seguido por Rio Grande do Sul (30,3%) e Santa Catarina (29,7%).

O Brasil conseguiu melhorias significativas nos indicadores sociais e distribuição de renda nos últimos anos, mas alguns dados expõem que ainda há muito a ser feito. As moradias inadequadas ainda representavam 38,3% dos domicílios brasileiros em 2012. Pela pesquisa, no País dono da 8ª maior economia do mundo, quase duas casas em cada cinco não cumpriam os pré-requisitos básicos como: abrigar até dois moradores por dormitório, existência de rede geral de esgoto ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e rede geral de água. A maior deficiência, segundo o órgão, é o atendimento por rede de esgoto.

São Paulo é o Estado com mais moradias adequadas, num total de 80,6%. Na outra ponta, a pior situação é Amapá (19,7%). Por outro lado, a fatia de residências inadequadas, apesar de ainda ser elevada, vem diminuindo de forma contínua. Em 2011, por exemplo, os domicílios nessa condição eram 39,1% e, no início dos anos 2000, somavam quase a metade das casas. "Os indicadores sociais estão melhorando, embora lentamente. Isso é natural, os investimentos não são feitos de um ano para o outro, e o resultado vem no longo prazo", explica Denise Kronemberger, gerente de Estudos Ambientais do IBGE.


LONDRINA
A Vila Marízia, na região central de Londrina, é uma das cinco ocupações mais antigas de Londrina. Em 1970, 69 famílias se estabeleceram na região. Hoje, este número é pelo menos três vezes maior. Onde termina o asfalto na Rua Brasília Machado começam os problemas sociais. No meio das vielas barrentas em meio aos barracos não há serviços básicos como coleta de lixo, entrega de correspondência. O esgoto corre a céu aberto. "Queria morar em um lugar melhor, limpo sem toda essa sujeira", lamentou a dona de casa Eliane Ribeiro, de 48 anos.

Elias Batista de Oliveira, de 57 anos, mora sozinho em um barraco que ele mesmo construiu na parte baixa do bairro. Para chegar ou sair, passa todos os dias por uma estreita viela. "Isso aqui em dias de chuva de torna um rio", comparou. A cama instalada na sala serve como guarda-roupas e até depósito de ferramentas. "Não tem onde guardar. Tenho que juntar mais umas tábuas para aumentar aqui para o lado", disse, apontando para o terreno desnivelado.

Em muitos casos, a precariedade já está incutida nas pessoas. Na casa de Adelir da Silva, uma tramela segura o portão improvisado. A porta é fechada com uma corrente que passa por dois furos: um na porta e outro na parede. "Não adianta me oferecer casa longe porque eu não vou sair daqui", reclamou, referindo-se às novas unidades habitacionais da Cohab na periferia. Deitado na rede em frente da casa, José dos Santos, 45, também não pensa em deixar o bairro. "Não tenho pressa pra sair daqui, não. Melhor aqui do que ir pra onde não tem creche, escola, nada", opinou.
Celso Felizardo
Reportagem Local-folha de londrina
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