CÂNCER DE MAMA - Pelo direito de viver mais’
Pacientes de câncer de mama metastático lutam para ter acesso pelo SUS a medicamentos que podem aumentar tempo de vida com qualidade

"Houve muito desgaste emocional, que poderia ter sido evitado se o Estado liberasse a medicação pelo SUS", lamenta Vera

Gramado - "Faço um apelo para que os avanços tecnológicos e terapêuticos estejam ao alcance de todos os pacientes que deles necessitam, sem o desgaste das cansativas batalhas judiciais, pois o paciente já está fragilizado pela doença e ainda tem que ‘brigar’ na Justiça pelo o que é um direito de todos, que é a saúde", desabafa a professora aposentada de Bento Gonçalves (RS), Vera Maria Fedrigo Giacomello, de 67 anos. Ela relatou seu drama no Foro de Pacientes com Câncer de Mama: acesso aos tratamentos no Brasil, evento paralelo a 10ª edição do Câncer de Mama, realizado em Gramado (RS), no mês passado.
Vera luta pela vida há 27 anos. Sua batalha é a mesma de muitas pacientes que têm câncer de mama metastático - fase da doença em que o tumor atingiu outros órgãos do corpo. Ao descobrir o câncer de mama aos 40 anos, em 1998, retirou os nódulos, fez radioterapia e ficou bem por cinco anos. Quando o câncer voltou, foi necessário fazer a mastectomia radical. Oito anos depois, teve recidiva na cicatriz da axila, que a levou a mais uma cirurgia e nova medicação. Mas a doença retornou no mesmo local após quatro anos, e o tratamento se repetiu. "Cada vez tinha que ter mais força, mas eu queria e quero viver", sentencia Vera. Seis anos mais tarde, o câncer apareceu na axila da mama e mais uma vez: cirurgia, radioterapia e nova medicação. A briga na Justiça começou dois anos depois, em 2013, quando chegou o diagnóstico de câncer na órbita do olho esquerdo e precisou de quimioterapia oral, pois os medicamentos prescritos não faziam parte da lista do Sistema Único de Saúde (SUS). "Houve muito desgaste emocional, que poderia ter sido evitado se o Estado liberasse a medicação pelo SUS", lamenta Vera.
Em janeiro deste ano, retirou dois nódulos do fígado e voltou a tomar nova medicação. Ao mesmo tempo, também descobriu que o câncer atingiu, agora, a órbita do olho direito. "Quando a gente adoece é preciso muita garra. Lutar mesmo para não se entregar. No começo a força veio por ter minha filha pequena, de apenas três anos, e também porque acho que tem alguém lá em cima que olha por mim, eu tenho muita fé."
Durante o evento, sociedades médicas, associações de pacientes, parlamentares, jornalistas e blogueiros debateram sobre as dificuldades enfrentadas pelas pacientes com câncer de mama metastático e entraves relacionados a processos regulatórios e pesquisa clínica no Brasil. Para conscientizar a sociedade sobre o drama vivido por estas pacientes, está em curso a campanha Por Mais Tempo, desenvolvida pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas em Apoio à Saúde da Mama (Femama), Instituto Oncoguia e Roche. Por meio desta iniciativa, as instituições estão arrecadando assinaturas para uma petição que solicita ao Ministério da Saúde a incorporação de tratamentos mais adequados para esta parcela da população. "Com a perspectiva crescente das pacientes viverem mais com o câncer de mama mesmo nos estágios mais avançados, o debate sobre câncer de mama metastático se torna cada vez mais relevante", explica Maira Caleffi, presidente da Femama.
A situação é ainda mais alarmante quando se observa o panorama do câncer de mama no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama mata anualmente mais de 14 mil mulheres e, este ano, cerca de 57 mil mulheres serão diagnosticadas com a doença. Sabe-se ainda que cerca de 50% das pacientes atendidas pelo SUS descobrem a doença em estágio avançado e que, no mundo, 30% dos casos evoluem para o estágio metastático.
Segundo a Femama, em muitos casos, os tratamentos oferecidos pelo SUS contemplam apenas a quimioterapia, sem levar em conta a especificidade do tumor de cada paciente, sendo que hoje existem terapias personalizadas que atacam diretamente o mecanismo de sobrevivência da célula tumoral, que resulta em maior sobrevida da paciente e menos efeitos colaterais. "Essas mulheres hoje vivem a dura realidade de lutar contra o tumor e pelo direito de viver mais", afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia e idealizadora da campanha.
Na avaliação da Femama, a falta de tratamento, entre outros motivos, tem fomentado o aumento nos óbitos por câncer de mama. Entre 1990 e 2010, as mortes por essa doença cresceram 17% entre as brasileiras de 30 a 69 anos, sendo que o estágio metastático corresponde a 90% dos óbitos.
Segundo Carlos Barrios, diretor executivo do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e diretor do Instituto de Oncologia Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS), as mulheres que sofrem de câncer de mama avançado enfrentam desafios distintos daquelas que estão na fase inicial da doença. "Isso se deve aos recursos limitados de tratamento disponíveis. O objetivo do tratamento na fase avançada é controlar a doença. Novas opções de tratamento, como a terapia-alvo, estendem a vida dessas pacientes com efeitos colaterais menos agressivos. Se não nos atentarmos devidamente ao cenário oncológico e suas problemáticas, a doença será endêmica e teremos a maior mortalidade em câncer até 2025".
SERVIÇO:
Campanha Por Mais Tempo – Petição pode ser assinada na página www.pormaistempo.com.br
Vera luta pela vida há 27 anos. Sua batalha é a mesma de muitas pacientes que têm câncer de mama metastático - fase da doença em que o tumor atingiu outros órgãos do corpo. Ao descobrir o câncer de mama aos 40 anos, em 1998, retirou os nódulos, fez radioterapia e ficou bem por cinco anos. Quando o câncer voltou, foi necessário fazer a mastectomia radical. Oito anos depois, teve recidiva na cicatriz da axila, que a levou a mais uma cirurgia e nova medicação. Mas a doença retornou no mesmo local após quatro anos, e o tratamento se repetiu. "Cada vez tinha que ter mais força, mas eu queria e quero viver", sentencia Vera. Seis anos mais tarde, o câncer apareceu na axila da mama e mais uma vez: cirurgia, radioterapia e nova medicação. A briga na Justiça começou dois anos depois, em 2013, quando chegou o diagnóstico de câncer na órbita do olho esquerdo e precisou de quimioterapia oral, pois os medicamentos prescritos não faziam parte da lista do Sistema Único de Saúde (SUS). "Houve muito desgaste emocional, que poderia ter sido evitado se o Estado liberasse a medicação pelo SUS", lamenta Vera.
Em janeiro deste ano, retirou dois nódulos do fígado e voltou a tomar nova medicação. Ao mesmo tempo, também descobriu que o câncer atingiu, agora, a órbita do olho direito. "Quando a gente adoece é preciso muita garra. Lutar mesmo para não se entregar. No começo a força veio por ter minha filha pequena, de apenas três anos, e também porque acho que tem alguém lá em cima que olha por mim, eu tenho muita fé."
Durante o evento, sociedades médicas, associações de pacientes, parlamentares, jornalistas e blogueiros debateram sobre as dificuldades enfrentadas pelas pacientes com câncer de mama metastático e entraves relacionados a processos regulatórios e pesquisa clínica no Brasil. Para conscientizar a sociedade sobre o drama vivido por estas pacientes, está em curso a campanha Por Mais Tempo, desenvolvida pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas em Apoio à Saúde da Mama (Femama), Instituto Oncoguia e Roche. Por meio desta iniciativa, as instituições estão arrecadando assinaturas para uma petição que solicita ao Ministério da Saúde a incorporação de tratamentos mais adequados para esta parcela da população. "Com a perspectiva crescente das pacientes viverem mais com o câncer de mama mesmo nos estágios mais avançados, o debate sobre câncer de mama metastático se torna cada vez mais relevante", explica Maira Caleffi, presidente da Femama.
A situação é ainda mais alarmante quando se observa o panorama do câncer de mama no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama mata anualmente mais de 14 mil mulheres e, este ano, cerca de 57 mil mulheres serão diagnosticadas com a doença. Sabe-se ainda que cerca de 50% das pacientes atendidas pelo SUS descobrem a doença em estágio avançado e que, no mundo, 30% dos casos evoluem para o estágio metastático.
Segundo a Femama, em muitos casos, os tratamentos oferecidos pelo SUS contemplam apenas a quimioterapia, sem levar em conta a especificidade do tumor de cada paciente, sendo que hoje existem terapias personalizadas que atacam diretamente o mecanismo de sobrevivência da célula tumoral, que resulta em maior sobrevida da paciente e menos efeitos colaterais. "Essas mulheres hoje vivem a dura realidade de lutar contra o tumor e pelo direito de viver mais", afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia e idealizadora da campanha.
Na avaliação da Femama, a falta de tratamento, entre outros motivos, tem fomentado o aumento nos óbitos por câncer de mama. Entre 1990 e 2010, as mortes por essa doença cresceram 17% entre as brasileiras de 30 a 69 anos, sendo que o estágio metastático corresponde a 90% dos óbitos.
Segundo Carlos Barrios, diretor executivo do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e diretor do Instituto de Oncologia Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS), as mulheres que sofrem de câncer de mama avançado enfrentam desafios distintos daquelas que estão na fase inicial da doença. "Isso se deve aos recursos limitados de tratamento disponíveis. O objetivo do tratamento na fase avançada é controlar a doença. Novas opções de tratamento, como a terapia-alvo, estendem a vida dessas pacientes com efeitos colaterais menos agressivos. Se não nos atentarmos devidamente ao cenário oncológico e suas problemáticas, a doença será endêmica e teremos a maior mortalidade em câncer até 2025".
* A jornalista viajou a convite da Plenarium
SERVIÇO:
Campanha Por Mais Tempo – Petição pode ser assinada na página www.pormaistempo.com.br
Marilayde Costa
Reportagem Local-folha de londrina
Reportagem Local-folha de londrina


