DESEMPREGO - O peso da crise entre os jovens



Vivenciando a primeira retração econômica de suas vidas, pessoas de 18 a 24 anos são obrigadas a buscar trabalho mais cedo. E engrossam os índices do desemprego no País

 

A geração de brasileiros que ainda não conhecia a crise está começando a sentir na própria pele as consequências da recessão na economia. Dados da Pesquisa Mensal de Empregos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que o número de adolescentes e jovens a procura de uma ocupação aumentou significativamente no Brasil no último ano. Historicamente, o índice de pessoas desocupadas nesta faixa etária é sempre maior que a média geral. O crescimento da taxa, porém, indica que a crise está antecipando a entrada dos mais novos no mercado de trabalho.
Conforme o IBGE, em janeiro de 2015 a taxa de desocupação na faixa de 18 a 24 anos era de 12,9%. Um ano depois, atingiu a marca de 18,9%, uma alta de seis pontos percentuais. O desemprego aumentou em todas as idades, mas em proporção bem menor, pouco mais de 2%. No Paraná, onde o índice de desemprego é menor que a média nacional, as notícias também não são animadoras para os jovens. Conforme Julio Suzuki, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), uma pesquisa referente ao terceiro trimestre de 2015, realizada também pelo IBGE, indica que o desemprego atingiu 13% das pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos, o que totaliza um contingente de 111 mil jovens procurando emprego no período. No ano anterior, a taxa era de 9,1%.
Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, o crescimento foi ainda mais expressivo: de 12,6% em 2014 para 23,3% em 2105, o que significa que 40 mil pessoas da faixa etária estavam em busca de uma ocupação no período.
Suzuki esclarece que a maior presença de adolescentes e jovens desempregados é natural, pois eles ainda não têm experiência e nem qualificação. O preocupante, segundo ele, é o crescimento do índice, indicando que muitos adolescentes e jovens que poderiam estar apenas estudando passaram a procurar emprego por causa da crise. "A taxa de desocupação das pesquisas é referente a quem procura emprego e não encontra. As pessoas que não estão procurando não são contabilizadas", esclarece.
Para ele, a conjuntura é causada pela queda no poder aquisitivo das famílias e também pelo possível desemprego dos mais velhos. "A renda familiar cai e os mais jovens são obrigados a procurar emprego", acredita o analista, para quem o Brasil precisa urgentemente resolver os problemas políticos para que as questões econômicas sejam solucionadas. "Tem que ser imediato, pois o País está sofrendo", pede.
Caso isso não aconteça, ele prevê o desenvolvimento de uma geração "fortemente afetada pela crise". "Isso é algo inédito para estes jovens, pois os anos 2000 foram muito virtuosos", pontua, lembrando que a crise um dia irá acabar, mas pode deixar sequelas nesta geração.
Para ele, entre as medidas mais necessárias estão a reforma da Previdência e a recomposição fiscal, visto que os impostos respondem por 36% a 37% do Produto Interno Bruto (PIB) e mesmo assim o País opera com deficit de 9%. "O governo não cabe dentro do PIB", reforça.
Por isso, apesar de reconhecer que o estado garante bem-estar social à população, Suzuki argumenta que o setor privado, que considera penalizado, é quem realmente gera empregos e precisa de mais apoio. "É o setor privado que vai acolher os jovens", diz.
A conjuntura atual de muitos desempregados até 24 anos impõe também o risco desta geração se tornar menos qualificada e, consequentemente, conseguir menos oportunidades de crescimento profissional. "Quando a família não consegue pagar escola dos filhos até o ensino médio, simplesmente transfere para a escola pública. Mas na faculdade a mudança não é automática. Quem não consegue pagar tranca a matrícula."
Para aqueles que estão precisando entrar no mercado de trabalho, o diretor-presidente do Ipardes orienta a buscar oportunidades em instituições oficiais como aquelas que oferecem estágios e também no Sine. Desta forma, segundo ele, é possível evitar a informalidade que tira direitos e oportunidades de quem precisa trabalhar.
O economista Sandro Silva, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná reforça que o desemprego voltou a assombrar os brasileiros - após dez anos - como reflexo da crise econômica. "Historicamente, o problema afeta mais jovens porque eles não têm experiência e nem formação diferenciada", defende.
Segundo ele, a alta das tarifas públicas e também do combustível elevou a inflação de 6% para mais de 10% no ano passado. "Isso dificultou as negociações salariais e gerou perdas de emprego. Com menos poder aquisitivo, mais gente na família saiu em busca de ocupação para complementar a renda", destaca.
Silva lembra que há 15 anos era comum os jovens conciliarem emprego e trabalho, mas o crescimento econômico na primeira década do século 21 derrubou a pressão para que entrassem no mercado, o que agora está voltando a ocorrer. "Se este cenário perdurar, vai haver impactos na formação dos jovens, pois é difícil conciliar estudos e trabalho, acredita.
Para ele, o Brasil precisa de políticas para reduzir a dívida interna. "O País gastou R$ 500 bilhões no ano passado com a dívida pública. Além disso, o aumento dos juros não conteve a inflação", afirma, questionando que os maiores interessados na manutenção desta política são os agentes do mercado financeiro que lucram com a conjuntura.
"Os investimentos do governo diminuíram e isso acaba afetando o mercado de trabalho. Além disso, a crise política tem gerado muitas incertezas. O País precisa de confiança para crescer."
Carolina Avansini
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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