Mães reivindicam melhorias para filhos especiais



Grupo cobra acessibilidade em áreas de lazer e presença de médicos especialistas nas unidades básicas de saúde

Gina Mardones
Grupo "Mães Especiais" também pede fornecimento de suplementos alimentares e leites especiais, entre outros itens, para as crianças

Um grupo de mães de crianças com necessidades especiais se reuniu ontem, no Calçadão de Londrina, para cobrar melhorias no atendimento em saúde e lazer.
Falta de médicos especialistas no atendimento de crianças especiais nas unidades básicas de saúde (UBS), falta de acessibilidade nos parques e dificuldade de conseguir equipamentos, suplementos alimentares, leites especiais, entre outros itens, são alguns dos problemas relatados pelas mães.
"Nas UBS não tem médicos para acompanhar as crianças especias. Nunca tivemos em Londrina um hospital específico para crianças especiais e elas não podem ficar esperando na fila para o atendimento", desabafou Gabriela Vieira Batistela, de 36 anos, mãe do João Gabriel, de 5 anos, que tem paralisia cerebral.
A espera por atendimento atrapalha na qualidade de vida das crianças. "Se elas esperarem muito por uma consulta no neurologista ou no ortopedista, por exemplo, elas podem regredir", disse Gabriela.
Mãe do Rafael, de 7 anos, que tem lisencefalia (transtorno causado pela microcefalia), Kelly Mayara Castro Guilherme, de 26, aguarda há um ano por uma consulta com o neurologista. Ela está na fila de do posto de saúde do Jardim Cristal (zona sul). Sem atendimento, Rafael tem tido convulsões. Ela reclama da falta de acessibilidade das calçadas e da inexistência de área de lazer para que as crianças possam brincar no bairro. "Não tem como andar de cadeira de roda nas calçadas e também não tem nenhuma nenhuma árvore", criticou.
Rafael também não está frequentando a escola porque o deslocamento é complicado. "Precisaríamos de um transporte municipal específico. Não tem como levá-lo de ônibus porque ele chora e há muito preconceito ainda", desabafou. Sem ter como sair de casa, Kelly conta que o menino passa os dias sozinho. "Ele fica quietinho no cantinho dele."
As histórias e dificuldades das mães são semelhantes. Como a da Juliana Pamela da Silva, de 29 anos, mãe de três filhos. A filha do meio, Lorena, de 3 anos, nasceu com Síndrome do Bebê Hipotônico. A menina não tem tônus muscular e a falta de geneticista e neurologista muscular na rede pública obriga Juliana viajar a cada 15 dias para Lorena ser atendida na Universidade de Campinas (Unicamp), no interior paulista.
"Precisávamos muito de um hospital ou de um centro de reabilitação aqui ou que o município investisse nas entidades para que elas pudessem atender as crianças aqui", comentou Juliana. Para trocar experiências, elas criaram um grupo no Facebook chamado "Mães Especiais", que conta com 195 membros.
Aline Machado Parodi
Reportagem Local
FOLHA DE LONDRINA
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