Número de incêndios ambientais cresce 41% no Paraná




Tempo seco e falta de conscientização da população contribuem para aumento das ocorrências

Fotos: Gustavo Carneiro
Foco de incêndio é registrado no Residencial Liberdade, na zona norte, na tarde de quarta-feira
"Qualquer toco de cigarro pode causar isso", lamenta Luiza Fávaro
"Uma vez precisei jogar água na parede de casa para o fogo não invadir", conta Olímpia Mulari

O tempo seco e a falta de conscientização da população elevaram em 41% o número de incêndios ambientais registrados pelo Corpo de Bombeiros em todo o Paraná. De 1º de janeiro a 12 de abril, 2.289 ocorrências foram atendidas, contra 1.624 no mesmo período de 2015.
Do total de focos registrados em 2016, 912 ocorreram em terrenos baldios, 669 em vegetação rasteira e 577 casos em vias públicas. A região de Maringá foi a que registrou maior número de ocorrências com 487 casos, seguida por Londrina, com 347, e Cascavel, com 274. Em todo o ano passado, foram registrados 7.146 incêndios ambientais no Paraná.
Com a ajuda do Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil também monitora as ocorrências. O tenente Marcos Vidal, integrante da Defesa Civil do Paraná, destaca que a lei 4.223, sancionada em 1998, estabeleceu o Plano Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Previflor). "Após a criação dessa lei, foram instaladas placas de sinalização de risco de incêndios em rodovias, por exemplo", conta. Entre 2010 e 2015, o número de incêndios registrados pela Defesa Civil no Paraná caiu 31%, de 10.249 para 7.039.
O órgão pretende agora reformular o plano estadual, com ações que envolvam Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Corpo de Bombeiros e sociedade civil organizada. "Estamos tentando estabelecer realmente uma estrutura coesa e integrada. Há um projeto-piloto em unidades de conservação da região de Curitiba, em parceria com ONGs e associações. Pessoas que moram próximas a essas unidades podem ajudar a evitar um dano ambiental ainda maior. O incêndio se alastra muito rápido", ressalta. Segundo ele, a proposta ainda está em discussão. A intenção é capacitar voluntários e orientá-los a combater pequenos focos de incêndio, sem colocá-los em risco. Ações de conscientização também serão realizadas.
Nas rodovias, a fumaça gerada pelos incêndios pode causar acidentes e transtornos aos motoristas. Nas cidades, conviver com as queimadas frequentes não é tarefa fácil para a aposentada Olímpia Maria Mulari. "É muita poeira e cisco dentro de casa. O chão fica horrível. A gente nunca vê quem coloca fogo. Uma vez precisei jogar água na parede de casa para o fogo não invadir", conta a moradora do Residencial Liberdade, na zona norte de Londrina. Conforme Olímpia, a cena é comum no bairro e os focos geralmente começam em pontos de despejo irregular de lixo no fundo de vale em frente à residência. "A gente nunca vê quem foi. Só sente o cheiro depois", relata. "O vento leva essa fumaça para longe. Qualquer toco de cigarro pode causar isso", completa a vizinha Luiza Fávaro.
A dona de casa Elisângela Oliveira mora no Jardim Jerônimo Nogueira (zona norte) e também reclama. "De três a quatro vezes por mês tem queimada por aqui. Um dia vi uma capivara sair do fundo de vale com os filhotes. Foi triste de ver. Fora a sujeira e tudo o mais que isso causa", lamenta.
O meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, Tarcízio Valentin da Costa, explica que uma massa de ar quente e seco predominou sobre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País. "Estávamos com temperaturas extremamente elevadas. Voltou a chover no domingo mais na metade sul do Paraná. Na metade norte, a chuva ocorre de forma bem localizada", aponta. Conforme ele, a última chuva significativa registrada em Londrina foi em 25 de março, quando a precipitação foi de 7,8 milímetros.
"Nesta sexta há chance de chuva na metade sul do Paraná. A partir do sábado, o tempo volta a ficar estável e segue assim pelos próximos cinco dias. Rapidamente, as temperaturas passam dos 30 graus", acrescenta a meteorologista do Simepar, Ana Beatriz Porto.
Causar incêndio ambiental é crime. As penas variam de acordo com os danos ambientais. A assessora de comunicação social do Corpo de Bombeiros do Paraná, tenente Rafaela Diotalevi, reforça que a corporação deve ser acionada assim que a ocorrência for identificada. "Há incêndios ambientais que se iniciam pela própria população que não consegue dominar o fogo. Orientamos que as pessoas não queimem o lixo e nem o mato alto simplesmente por não conseguir fazer a roçagem", alerta. A tenente lembra ainda que não é indicado se aproximar do fogo, já que a inalação de fumaça pode causar prejuízo à saúde.
Viviani Costa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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