Pivô de tragédia em Irajá, viúva e é hostilizada por amigos do marido



RIO - Os amigos estranharam quando Jaime Damião Mariano Pavel faltou ao compromisso sagrado de toda terça-feira, a pelada num campinho em São João de Meriti. Mas, em vez de jogar bola, o ex-policial militar, que ganhava ultimamente a vida como taxista, preferiu tentar resolver as pendências em outro campo — o amoroso. Desconfiado de que estava sendo enganado pela mulher, ele seguiu a professora Thaís Santanna quando ela saiu de casa, anteontem, alegando que iria para a faculdade. Viu o momento em que ela entrou no Sherazzade, um motel em Irajá, bem perto do apartamento que o casal dividia. E, apesar de ser descrito como explosivo, teve o sangue-frio de esperar que a traição se concretizasse. Quando Thaís saiu do prédio, acompanhada por Leonardo Cabral, Jaime se aproximou. Estava armado e colérico. Gritou para o rival: “Perdeu! Não corre!” O que ele provavelmente não contava era que o amante de Thaís tinha também uma pistola — Leonardo é policial civil, agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).
Não se sabe quem atirou primeiro. E Thaís não poderá esclarecer como começou o duelo: assim que viu marido e amante frente a frente, a professora tratou de correr para dentro do Sherazzade, de onde só saiu, escoltada por PMs, depois de terminado o tiroteio entre os dois homens, que assustou moradores da região e teve baixas nos dois lados. Atingido na coxa, na mão e na altura da clavícula, Jaime, de 30 anos, foi socorrido, mas morreu no Hospital Getúlio Vargas. Ferido na cintura, Leonardo, de 41, foi levado para o mesmo hospital e passou por uma cirurgia. Segundo a Secretaria de Saúde, seu quadro é estável.

RELACIONAMENTO COM IDAS E VINDAS

A tragédia que parece ter saído de um romance de Nelson Rodrigues foi o desfecho de um relacionamento conturbado, que começou há cerca de oito anos, quando Jaime e Thaís se conheceram numa festa à fantasia em Itaipava. De lá para cá, o casal acumulou muitas idas e vindas, quase todas provocadas por desconfianças de ambas as partes. A última separação aconteceu há cerca de um ano e meio, quando Jaime voltou para a casa dos pais. Thaís, de 35 anos, envolveu-se então com Leonardo, com quem teria namorado por cerca de cinco meses.

— Leonardo tinha se separado há pouco tempo, e sua ex-mulher fez um escândalo na porta dele quando descobriu o namoro. Thaís achou que o relacionamento seria muito complicado e resolveu voltar para Jaime — contou um amigo do casal.
Depois que reataram, Jaime e Thaís resolveram oficializar o relacionamento. Economizaram R$ 16 mil para pagar a festa de casamento, que reuniu pouco mais de cem amigos num bufê na Vila da Penha. E, a julgar pelas fotos nas redes sociais, o relacionamento tinha finalmente entrado nos eixos. O casal aparece sorridente na lua de mel em Salvador e bronzeado em praias cariocas, muitas vezes acompanhado do filho, um menino de 5 anos. Mas, entre quatro paredes, o fantasma da traição ainda atormentava Jaime e provocava muitas brigas.
— Eu não vou mentir. Thaís era complicada, já teve outras histórias que Jaime perdoou. Ele era extremamente apaixonado por ela. Era esquentado, gostava de tirar satisfação, mas não era violento. Acho que ele pegou a arma para assustar o amante, duvido que fosse fazer alguma coisa — diz outro amigo do casal.

Não se sabe se Thaís estava mantendo um relacionamento paralelo com Leonardo ou se o encontro da última terça-feira foi um revival. Ela prestou depoimento ontem na Delegacia de Homicídios. Muito abalada, a professora, que dá aulas numa escola primária perto do Morro da Pedreira, em Costa Barros, terá que lidar agora com a morte do marido, o ferimento do amante e o julgamento nas redes sociais. Este já começou: na página de Jaime no Facebook, Thaís é chamada de “safada” e “vagabunda”. Uma amiga do policial escreveu também sobre a situação do filho do casal: “A criança agora, por causa dessa safada, não terá o pai ao lado. Se o relacionamento não estava bem, por que não pediu separação, ao invés de casar novamente?”
Jaime será enterrado nesta quinta-feira, às 15h, no Cemitério de Irajá. Amigos dele dizem que Thaís será proibida pelos pais da vítima de comparecer ao sepultamento, que deverá ter a presença de muitos policiais do 2º BPM e da UPP do Lins, onde Jaime atuou entre 2013 e 2014. Ele foi reprovado no processo seletivo para a PM porque se descobriu que tinha sido flagrado com porte ilegal de arma. Jaime conseguiu, porém, uma liminar na Justiça para concluir o concurso em dezembro de 2012. A decisão foi cassada em maio de 2014 e, desde então, Jaime lutava para retornar à corporação.
O policial civil deverá depor assim que melhorar. A delegacia está em busca de imagens de câmeras para ver como aconteceu o tiroteio e se Leonardo agiu, ou não, em legítima defesa.


FONTE - GLOBO.COM
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