Operação prende 8 policiais suspeitos de participar de chacina



Entre os militares envolvidos estão um capitão, dois aspirantes a oficial e dez praças

Celso Pacheco
Suspeitos foram levados ao IML para realização de exames em um micro-ônibus da PM
Gustavo Carneiro
"Não temos a menor satisfação em prender policiais", declarou o secretário Wagner Mesquita

Oito policiais militares e um empresário foram presos na manhã de ontem, em Londrina, suspeitos de envolvimento em 17 mortes ocorridas na cidade desde a chacina da noite do dia 29 e madrugada de 30 de janeiro, quando 12 pessoas foram mortas e 16 foram baleadas na cidade. As 12 mortes foram registradas horas depois de assassinato do policial militar Cristiano Luiz Botino. A polícia investiga ainda outros cinco assassinatos posteriores que podem estar relacionados com a chacina. Além dos presos, outros seis policiais foram conduzidos coercitivamente à delegacia para prestar depoimento. Entre os militares envolvidos estão um capitão, dois aspirantes a oficial e dez praças.
Os mandados de prisão e de condução coercitiva foram cumpridos logo pela manhã por uma força-tarefa formada por grupos de elite da Polícia Civil e pela corregedoria da Polícia Militar. Dois dos policiais presos foram indiciados por porte de munição ilegal, pagaram fiança e foram liberados. Cinco armas foram encontradas na casa do empresário preso. Os policiais devem responder também pelo crime de fraude processual por alteração dos locais de crime. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Júlio Reis, houve o recolhimento de cápsulas disparadas e subtração de câmeras que poderiam auxiliar na identificação dos autores dos crimes. "A complexidade da investigação foi muito grande, uma vez que houve ausência de indícios em locais de crime, subtração de material. Somado a isso, há o temor da população em denunciar", apontou o delegado.
A investigação identificou indícios de falsos confrontos criados pelos policiais militares. Uma arma que teria sido usada no dia 26 de janeiro, após a tentativa de homicídio a um policial militar, teria sido plantada em uma situação de suposto confronto no dia 12 de março, em uma chácara na zona norte da cidade. "Junto a outras provas contundentes, como vídeos e áudios, os confrontos balísticos nos levaram a crer que os suspeitos sejam responsáveis pela alteração de local de crime e também da prática do crime", reforçou Reis. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), a Polícia Científica realizou mais de 1,7 mil confrontos e análises entre os 37 estojos e 48 projéteis que foram encaminhados ao longo da investigação.
Os mandados foram cumpridos em vários bairros da cidade e todos os detidos foram encaminhados para o 5º Batalhão de Polícia Militar. A movimentação de viaturas foi intensa durante toda a operação. Por volta das 11h30, eles saíram da sede do 5º BPM em um micro-ônibus. Eles foram levados ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de exame de corpo de delito e depois retornaram ao batalhão.
Na tarde de ontem, em entrevista coletiva em um hotel no centro de Londrina, o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, comentou o caso. "Não temos a menor satisfação em prender policiais. Cada prisão de policial gera uma cicatriz na segurança pública como um todo. Os nossos policiais, todos os dias, põem sua vida em risco para defender a sociedade, em confrontos legítimos. Somente corrigindo os erros que acontecem podemos justificar e dar apoio aos bons policiais. Estamos cumprindo nosso papel e nosso dever de apurar o ocorrido perante a sociedade", declarou.
Com a elucidação dos crimes depois de mais de três meses da chacina, Mesquita não considera ter havido demora. "Trabalhamos com o tempo que a complexidade demandou. Foram duas fases, a primeira ostensiva, que apresentou reduções da criminalidade em Londrina, e a segunda de investigação, que ainda segue em curso", argumentou. Segundo ele, a tentativa de homicídio contra o policial Reginaldo Alves de Oliveira e o assassinato do soldado Cristiano Luiz Botino foram elucidadas. "Ficou claro que os ataques tiveram mandantes locais. Alguns dos responsáveis já foram presos", declarou, sem dar mais detalhes.
O comandante-geral da Polícia Militar, Maurício Tortato, destacou que os envolvidos serão alvo de processos administrativos e negou qualquer tipo de corporativismo nos julgamentos da PM. "Não existe nenhuma condescendência em relação a atos que não sejam pautados pela atuação legítima daquilo que nossos policiais se propõem a fazer, que é a proteção à sociedade. O que não podemos é generalizar a instituição que presta relevantes serviços à sociedade", defendeu.
O promotor Ricardo Alves Domingues também comentou o caso. "O Ministério Público destaca que houve participação efetiva da instituição no acompanhamento das investigações e diálogo muito grande com a polícia para que se pudesse produzir provas de qualidade, tanto para se elucidar a autoria quanto para se resguardar os direitos individuais daqueles que estivessem envolvidos."
Vítor Ogawa e Celso Felizardo Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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