Produção industrial tem duas altas seguidas pela primeira vez desde 2014





Após recuperação em março, indústria tem ligeira alta de 0,1% em abril, registrando o primeiro avanço consecutivo desde 2014

Sérgio Ranalli
Apesar da tendência de alta, desempenho industrial ainda é fraco: das 24 atividades acompanhadas pelo IBGE, 13 estão em queda

Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira surpreendeu o mercado ao registar uma leve alta de 0,1% em abril na comparação com o mês anterior, após já ter avançado 1,4% em março, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. Dois avanços consecutivos na produção da indústria brasileira não aconteciam desde julho e agosto de 2014.
Os dados chamam atenção um dia após o IBGE divulgar que o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 0,3% no primeiro trimestre frente aos três meses anteriores, resultado menos desastroso que o esperado.
Segundo André Macedo, gerente de coordenação da indústria do IBGE, o resultado foi parcialmente impactado por um evento atípico ocorrido em abril, que foi a antecipação da moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do País.
"Isso contribui para o aumento da produção de açúcar e do álcool combustível. Essa antecipação da safra, por causa de uma clima mais favorável e seco na região, acabou gerando o comportamento", disse.
Desta forma, a principal contribuição para o resultado da indústria veio dos produtos alimentícios, que avançaram 4,6% na passagem de março para abril.
Outro item com importante contribuição para o resultado veio da atividade de refino (coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis), que registrou um avanço de 4% em abril deste ano.
O desempenho da indústria, quando aberto pelos variados setores, ainda se revela fraco. Das 24 atividades acompanhadas pelo IBGE, 13 estão em queda. Das grandes categorias, duas das quatro estão em queda.
Quando comparada com abril do ano passado, a produção registrou uma baixa de 7,2%, a 26ª taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação.
No ano, no setor ainda há um declínio de 10,5%. No acumulado de 12 meses, o tombo da indústria também continua forte, de 9,6%, segundo os números divulgados pelo IBGE.
"Essa sequência de taxas positivas dá uma sensação melhor do que a que vimos no ano passado. Apesar disso, o saldo ainda é negativo para o setor industrial", disse Macedo, durante apresentação à imprensa dos resultados da indústria.

CATEGORIAS
Das grandes categorias econômicas, os bens de capital (categoria mais relacionada aos investimentos) registrou seu quarto trimestre seguido de aumento da produção, com uma alta de 1,2% em abril em relação aos três meses anteriores.
Isso pode estar relacionado à melhora das expectativas de empresários da indústria, segundo Macedo. "Mas é preciso lembrar que a perda recente do setor foi grande e a base de comparação é baixa", disse.

EM QUEDA
Dos 13 ramos que reduziram a produção na passagem de março para abril, os de maior relevância sobre a média global da indústria foram veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,9%).
Outros impactos negativos importantes foram em perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-2,6%), metalurgia (-2,5%), outros equipamentos de transporte (-5,5%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,1%).

Bruno Villas Bôas
Folhapress
FOLHA DE LONDRINA
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