As estufas de R$ 1 milhão





Dito da Mandioca viu o negócio render de vez quando deixou a Ceasa para apostar na venda direta aos clientes que foi adquirindo ao longo dos anos


Crise? Nada disso! A palavra de ordem que move a vida do produtor rural Benedito Aparecido Gomes é investimento. Ele é a prova viva de que o mercado estadual de hortaliças continua firme, mesmo com as chuvas e geadas esparsas que atrapalharam parte da produção do Estado. O pensamento dele é simples, mas certeiro: "Quando a crise chega, a pessoa pode até andar mais alguns quilômetros com o pneu careca, ela dá um jeito. Mas quando o assunto é comida, todos precisam se alimentar diariamente". Com essa dinâmica, a prosperidade abriu a porteira e entrou com tudo na propriedade de 20 hectares da família, que hoje conta com uma área dedicada à mandioca e, claro, folhosas em geral.

Os números da hidroponia respondem por si só. São 12 estufas de folhagens - com alface, rúcula, almeirão, agrião, entre outras – e uma produção de mil pés por dia, comercializada em oito supermercados, sendo dois de marcas fortes em Londrina, além de três restaurantes. Sem medo dos planos mirabolantes do governo em relação à economia, a meta de Benedito é audaciosa: atingir nos próximos 15 meses o número de 40 estufas e a comercialização de quatro mil pés por dia. O valor que será investido? Aproximadamente R$ 1 milhão. "Até agora fiz tudo com recursos próprios, já que não consegui financiamento. Pretendo continuar desta forma e, como estou há bastante tempo no ramo, vou conseguir comercializar toda essa produção tranquilamente".

GUINADA
A história do "Dito da mandioca" (que agora pode ser chamado de "Dito das folhosas") é de um empreendedor nato. Até os 25 anos, ele trabalhava numa indústria de rami. Quando o governo Collor chegou com tudo para "falir a firma", o patrão de Benedito arrumou um pedaço de terra arrendada para ele plantar. Aos poucos, comercializando os produtos na feira do produtor, ele foi crescendo, e acabou comprando a área onde a indústria do patrão ficava localizada. "Ao longo dos anos fui adquirindo meus clientes e saí da Ceasa. Lá tem muitos altos e baixos, com época que você não consegue atender os clientes e outra que você joga o produto fora. Agora, vendendo de forma direta aos clientes, isso não acontece. São conquistas que adquiri ao longo desses 25 anos no mercado".

Hoje, Benedito trabalha com seus dois filhos, Luis Gustavo, de 21 anos, e Gabriel, 16, e mais cinco funcionários que se dedicam à mandioca e hidroponia. Os filhos, vendo o retorno dos negócios, não têm a mínima dúvida de que vão continuar firmes na propriedade. "Os pais têm que dar apoio aos filhos. Eles precisam ver que aqui ganham muito mais do que na cidade. Assim, eles se animam e permanecem. Falta incentivo para que os mais jovens peguem amor na agricultura".

No que diz respeito à qualidade de vida que consegue oferecer aos meninos, Dito não titubeia em dizer: "Aqui na roça, meus filhos têm uma qualidade de vida filhos igual ao melhor cirurgião de Londrina ou algo parecido. Eles têm carro confortável para passear, um dinheiro para o lazer que gostam, casa boa para morar, internet, telefone e se precisar de um médico, temos condições de arcar com uma consulta particular. Vejo que a agricultura familiar é que verdadeiramente alimenta o Brasil. Tudo que nós temos conquistamos aqui na roça".
Victor Lopes
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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