Assaltos aos Correios superam ataques a agências bancárias



No primeiro semestre, o Sindicato dos Vigilantes registrou 98 ataques a agências bancárias no Estado


Em sete anos, três assaltos a mão armada em três agências diferentes. Este é o histórico de uma funcionária dos Correios que preferiu não ser identificada. "É difícil controlar a ansiedade. Tenho problemas para sair de casa. Depois do segundo assalto fiquei nove meses afastada do trabalho pelo INSS, fui transferida de agência, passei por um novo assalto e fiquei mais 15 dias longe do trabalho. A gente precisa de mais segurança", clamou.
A primeira ocorrência foi registrada durante uma tarde. A segunda foi logo cedo, no início do expediente. "Não tem hora para acontecer. Quando a gente entra no concurso, acha que o trabalho é tranquilo, mas, depois que as agências dos Correios se tornaram correspondentes bancários, ficou muito complicado. Já estou estudando para outros concursos."
As agências dos Correios se tornaram alvo fáceis para as quadrilhas. De acordo com o sindicato dos trabalhadores do setor (Sintcom/PR), 101 assaltos foram registrados neste primeiro semestre contra 89 em todo o ano passado. O diretor de formação sindical, Alexandre Basílio, ressalta que a entidade já recorreu à Justiça para pedir a instalação de equipamentos de segurança como portas giratórias e vidros blindados em todas as 42 jurisdições do Paraná. No entanto, segundo ele, representantes dos Correios recorreram da decisão.
Dos 101 assaltos ocorridos neste ano, 49 foram registrados na Região Metropolitana de Curitiba e 24 no Norte do Estado. "Antes as ocorrências eram mais no interior do Estado, mas, da metade do ano passado para cá, a bandidagem descobriu que aqui na região da capital é tão fácil assaltar quanto no interior. As agências são muito vulneráveis. Quem paga com isso é o trabalhador que fica exposto a essa violência urbana. Além do trauma, os funcionários não podem nem gritar e nem falar para a sociedade o terror que têm passado porque têm medo do que pode acontecer internamente", comenta.
No primeiro semestre de 2016, o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região registrou 98 ataques a agências bancárias do Paraná, sendo 53 explosões, 30 arrombamentos e 15 assaltos ou tentativas de assalto. Os números ficaram abaixo do total computado no mesmo período de 2015 quando 132 ocorrências fizeram parte das estatísticas do sindicato. Entre janeiro e junho do ano passado, foram 91 explosões, 22 arrombamentos e 19 assaltos ou tentativas de assaltos.
Para o presidente do sindicato, João Soares, a redução não foi por acaso. "Muitos caixas eletrônicos foram retirados do comércio desde o ano passado, mas os grupos continuam atacando com armamento cada vez mais pesado. Como tem cidades pequenas com menos de 20 mil habitantes em que há apenas quatro policiais, fica difícil conter esses crimes. As quadrilhas também mudaram o alvo para os Correios e lotéricas", afirma. Ao todo, 37 ataques a agências bancárias foram registrados na Região Metropolitana de Curitiba. Na sequência vêm o Norte do Paraná com 23 e o Centro do Estado com 12 ocorrências. "No interior, eles agem de forma diferente, com escudo humano, com reféns... A solução seria uma segurança pública com mais qualidade. Hoje os bandidos estão muito bem armados e os moradores arrecadam dinheiro para comprar armas para os policiais. Isso é uma vergonha para o Estado", critica. Só na cidade de Ortigueira (Centro), cinco ocorrências foram registradas nos últimos 12 meses.
Viviani Costa
Reportagem Local-FOLHA DE LONDRINA
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