Mapa da Violência revela aumento do número de homicídios no PR



Curitiba - No ranking que acompanha o uso da arma de fogo como meio para a resolução de conflitos e a crescente mortalidade advinda desse recurso, que só em 2014 foi a causa de 71,7% dos homicídios, o Paraná melhorou de posição saindo de 14º para 18º Estado que mais mata via esse instrumento. Porém, proporcionalmente, passou a perder mais vidas entre 2000 e 2014, exibindo a marca de 19,2 pessoa mortas a cada 100 mil habitantes, contra 13,6 mortos que eram contabilizados em 2000.

Em números absolutos, dentro do recorte de 2004 a 2014, os chamados Homicídios por Arma de Fogo (HAF) no Paraná aumentaram de 1.912 para 2.073 (alta de 8,4%). Enquanto no Brasil, esse crescimento foi de 34.187 para 42.291 (alta de 23,7%). Os dados são do Mapa da Violência 2016, fruto de um estudo do professor, sociólogo e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), Julio Jacobo Waiselfisz, que realiza um cruzamento de informações obtidas de indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério da Saúde (MS) para mostrar a evolução da violência em Estados e municípios brasileiros.

Enquanto o Brasil passou de uma proporção de 20,7 homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes, em 2000, para 21,2 mortes em 2014, o Paraná aprofundou o uso desse instrumento a tal ponto que acrescentou mais cinco pessoas mortas por arma de fogo a cada 100 mil habitantes. "A violência recrudesceu por causa de uma política de enfrentamento e extremamente punitiva a ponto de ampliar o encarceramento e as mortes para os segmentos sociais mais vulneráveis da população paranaense, com a conivência das demais classes sociais", aponta o professor do curso de Direito da Universidade Positivo e doutorando em Criminologia, Flávio Bortolozzi Júnior. "Prova de que a sociedade vem apoiando isso são as frequentes discussões em prol de mudanças na maioridade penal, tendo como pano de fundo o raciocínio equivocado de que violência se combate com mais violência".

No ranking de 2000 a 2014, outro dado que chamou atenção de Waiselfisz foi a mudança de posições de alguns Estados da federação que ocupavam as primeiras posições no início de 2000. O Rio de Janeiro, que liderava o ranking em 2000 passou para 15º. São Paulo de 6º foi para 26º e Mato Grosso foi de 7º para 23º. Entretanto, esses lugares passaram a ser preenchidos por Estados como Ceará, que foi de 19º para 2º lugar, ou Rio Grande do Norte, de 18º para 4º. Alagoas, o primeiro colocado em 2014, ocupava a 9ª posição em 2000.

COR DA VIOLÊNCIA
Enquanto no Brasil, de 2003 a 2014, mais negros foram mortos por arma de fogo, indo de 20.291 para 29.813, no Paraná esse número foi de 599 para 999. A população branca, por sua vez, teve um contingente de mortes por arma de fogo reduzido no Brasil, de 13.224 para 9.766, mas no Paraná aumentou de 1.431 para 1.645. "Essa diferença se justifica pela peculiaridade, porque tanto o acompanhamento via Mapa da Violência, quanto os demais indicadores convergem para o uso de instrumentos que perpetuam o extermínio de um segmento da sociedade marginalizado. Logo, se formos olhar a origem social dos mortos no Paraná observaremos correspondência com a população carcerária do Estado, e isso se repete no Brasil", constata Bortolozzi.
Magaléa Mazziotti
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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