Gaeco desarticula quadrilha de roubos de cargas



Cargas de soja, alimentos e produtos de limpeza eram os alvos dos criminosos; grupo atuava no Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás


Curitiba - Contrariando a tendência favorável a quem desvia ou rouba cargas pelas rodovias que cruzam o Estado e o País, durante todo o dia de ontem o Ministério Público do Paraná (MP-PR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), esteve em campo para o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva de pessoas suspeitas de estarem envolvidas com esse tipo de crime.
Segundo o núcleo do Gaeco em Cascavel, que comandou a chamada Operação Água Benta, dos 24 mandados 19 pessoas foram presas até o final da tarde ontem, sendo sete empresários, três funcionários das organizações envolvidas, um advogado, um delegado, quatro policiais da Polícia Civil (entre investigadores e escrivães), um Policial Militar e dois motoristas de caminhões.
A prisão do restante, segundo a promotora de Justiça do Gaeco em Cascavel e da 7ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP-PR, Juliana Vanessa Stofela da Costa, deve ocorrer nos próximos dias. "Os cinco mandados que não foram cumpridos eram para motoristas envolvidos no desvio de carga que estavam fora de seus endereços, mas que acreditamos apreendê-los nos próximos dias, tão logo retornem", explicou Juliana. Ela esclareceu ainda que dentre as pessoas que foram presas na ação de ontem, apenas os policiais foram encaminhados para a capital.
O delegado preso foi encaminhado para o Centro de Operações de Policiais Especiais (Cope), três policiais civis foram levados para a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e uma policial civil foi para o Centro de Triagem de Curitiba. "Os demais envolvidos foram encaminhados para as delegacias dos respectivos endereços dos mandados. Há presos em Campo Grande (MS), Dourados (MS) e até em Goiânia (GO)", informou Juliana. Cargas de soja, alimentos e produtos de limpeza eram os alvos dos criminosos.
O procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, explicou que a Operação Água Benta é fruto de uma investigação iniciada em 2014 e que ainda terá desdobramentos, pois envolve cidades do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. "Nossas investigações foram iniciadas a partir de indícios de que algumas ocorrências de roubos de cargas contavam com a participação dos próprios motoristas que eram vítimas da ação. Aprofundando o trabalho e com todas as provas que obtivemos, constatamos que essas cargas já eram roubadas mediante um acerto com o receptador que, na maioria das vezes, era um empresário do setor supermercadista, com estabelecimento devidamente constituído. Então se fingia um crime, que muitas vezes nem era investigado devidamente, até porque alguns policiais acionados também estavam no esquema", detalhou Batisti.
Ele acrescentou ainda que os motoristas diziam terem sido dopados com um líquido nos depoimentos dos supostos assaltos. Os falsos assaltos eram registrados em várias delegacias mediante suborno de cerca de R$ 10 mil por boletim, pago a policiais civis, com envolvimento de um policial militar. Em alguns casos, houve participação de advogados para a lavratura falsa dos boletins.
Além das prisões, foram realizados mandados de busca e apreensão contra 30 pessoas e 11 mandados de condução coercitiva. Somente a ação deflagrada ontem abrangeu os municípios paranaenses de Realeza, Cascavel, Londrina, Maringá, Terra Roxa, Guaíra, Pato Branco, Capitão Leônidas Marques, Boa Vista da Aparecida e Brasilândia do Sul. No Mato Grosso do Sul, agentes atuaram em Campo Grande, Dourados, Cassilândia, Três Lagoas e Corumbá, além de Amparo (SP) e Goiânia (GO). Também foi determinado pela Justiça de Terra Roxa (Oeste) o bloqueio de bens e valores.
Magaléa Mazziotti
Reportagem local/FOLHA DE LONDRINA
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