Frimesa começa construção de maior frigorífico de suínos da América Latina no Paraná



A Frimesa Cooperativa Central começa neste início de 2017 as obras de infraestrutura para a construção do maior frigorífico de carne suína da América Latina, em Assis Chateaubriand (Oeste), com investimentos de R$ 900 milhões. Além de se tornar referência nacional na indústria de carne, a expectativa é de que os criadores se profissionalizem ainda mais na região, com maior número de integrados, produção e receita.
Em toda a cadeia, a previsão é de R$ 2,5 bilhões de investimentos até 2030, conforme divulgado oficialmente no fim de setembro do ano passado. O valor está dividido entre R$ 1 bilhão na criação de suínos, R$ 600 milhões em fábricas de ração e unidades de armazenamento de grãos, além dos recursos aplicados na fábrica, que deve ficar totalmente operacional em 2028.
O diretor executivo da Frimesa, Elias José Zydek, afirma que a central conta hoje com 1 mil produtores de suínos integrados, por meio das cinco cooperativas agroindustriais que fazem parte do grupo – Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato. O objetivo é somar mais 1,3 mil criadores nos próximos anos. A Frimesa já é a maior indústria deste tipo de carne do Paraná, com 7,1 mil cabeças ao dia. "Passaremos a abater 28 mil cabeças lá em 2028, por isso que dizemos que é um investimento a longo prazo", diz Zydek.
Para o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva, a tendência é de abertura de novas possibilidades para o setor. "Há hoje poucas empresas que acabam por ter a capacidade de manobrar o mercado, mas, quando uma cooperativa faz um investimento dessa envergadura, isso abre possibilidades", conta.
Zydek considera que o principal foco é a perspectiva de crescimento do consumo de carne suína no Brasil, além da chance de abertura de novos mercados no exterior. Apesar da queda de 4,9% dos 15,2kg em 2015 para os 14,4kg per capita no ano passado, segundo projeção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), há espaço para aproximar a demanda para os mesmos moldes de países europeus e asiáticos, onde o volume chega a 40kg por pessoa ao ano. "A carne suína é mais qualificada do que a de frango e é mais barata do que a bovina", diz.
Quanto às exportações, o diretor da Frimesa lembra que hoje são embarcados ao exterior 14% do produzido pela cooperativa, com projeção de fechar em 20% até 2030. "Mas nosso objetivo é o mercado interno", lembra. Para tanto, a empresa também lança campanhas publicitárias e um portal na internet, para promover o consumo nacional e oferecer receitas com os 12 cortes suínos que mantém no mercado.

Com sede em Medianeira, a Frimesa é a quarta no mercado nacional de carne suína e a maior do Paraná, com 26,5% de participação
Com sede em Medianeira, a Frimesa é a quarta no mercado nacional de carne suína e a maior do Paraná, com 26,5% de participação


Sem crise
A estimativa de faturamento da cooperativa para 2016 é de R$ 2,51 bilhões, 13% a mais do que em 2015. O volume de produção deve superar as 349 mil toneladas, com 5,5% de crescimento, o que contribui para os investimentos da Frimesa.
Apesar do País enfrentar uma crise econômica que reduziu o consumo de proteína animal de forma geral no ano passado, Zidek lembra que é preciso pensar em longo prazo. "Acreditamos que a economia brasileira comece a se levantar em 2020, assim como o consumo interno, e um projeto desses precisa começar antes, ou levaríamos mais dois anos para começar a atender a nova demanda", cita.
Para 2017, a previsão na cooperativa é que o faturamento atinja os R$ 3 bilhões, 18% acima do período, e que o volume de produção ultrapasse as 375 mil toneladas, o que representa 7,5% de aumento.

Grandeza
A nova planta industrial terá 141 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 115 hectares, na cidade de Assis Chateaubriand. A primeira etapa será concluída em 2018, com geração de 3,5 mil empregos diretos. Até 2025, outros 2 mil postos de trabalho devem ser abertos.
Com sede em Medianeira, a Frimesa é a quarta no mercado nacional de carne suína, mas é a maior do Paraná, com 26,5% de participação. A expectativa é brigar pela terceira posição no País com os investimentos anunciados.
Fábio Galiotto
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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