Servidores são barrados na volta dos trabalhos da Assembleia Legislativa



Curitiba - Mediante protesto de servidores, que não conseguiram autorização para entrar no prédio, e sem a presença do governador Beto Richa (PSDB), como costumava ser praxe, a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná abriu seus trabalhos em 2017 ontem. A sessão, primeira após quase dois meses de férias, foi inteiramente dedicada à posse da Mesa Executiva. Não havia projetos em pauta para análise, o que deve ocorrer a partir da semana que vem. Conforme o Palácio Iguaçu, Beto precisou cumprir outros compromissos. O tucano foi representado pelo chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB).
O presidente reeleito da Casa, Ademar Traiano (PSDB), disse que barrou os funcionários públicos por se tratar de um "dia de festa". Assim, eles se concentraram do lado de fora, impedindo também a entrada de trabalhadores da AL. Os manifestantes, em sua maioria professores, reivindicam a revogação da Resolução 113/2017, que trata da distribuição de aulas e funções na rede estadual de ensino. No plenário, os 54 deputados estaduais dividiram espaço com familiares, vereadores, chefes dos demais poderes e ainda outros políticos e autoridades, esses sim convidados a prestigiar a cerimônia.
 Devido aos portões fechados, guardados por seguranças e policiais militares, a reportagem da FOLHA só conseguiu acessar a AL por meio de uma passagem anexa ao Tribunal de Justiça (TJ), que leva à garagem do Parlamento. Traiano assegurou que a partir de segunda-feira (6), porém, todos poderão acompanhar as plenárias normalmente. "Não se trata de professores. São sindicatos que vieram fazer um protesto não contra a Assembleia, e sim contra o governo. Vejo como legítimo. Mas há que se entender que hoje era um momento solene, festivo, com as presenças de familiares e das mais relevantes autoridades do Estado. Não era hora para qualquer tipo de desagravo", justificou.
"Ficou bem claro que a festa não era pública; era privada, particular, feita para algumas pessoas. A Assembleia tem excluído aqueles que são contrários. Faz uma democracia de um lado só. Quando é a favor do governo, tudo bem, pode entrar", opinou Tadeu Veneri (PT), que neste ano assumirá a liderança da oposição, em substituição a Requião Filho (PMDB). O petista também criticou a ausência de Beto. "O governador Carlos Alberto parece o Wally. É difícil achá-lo, ainda mais no verão e tão próximo de coisas interessantes. Talvez, ele não tenha muita afinidade com a Assembleia."
Líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB) falou que chegou ao prédio pela manhã e não acompanhou o imbróglio. "Mas, pelo que vi, é um número muito pequeno de manifestantes. A Assembleia é um espaço democrático. A presença (do funcionalismo) é importante. Agora, me parece que o comportamento como uma torcida de futebol é impróprio." Sem dar detalhes, ele voltou a dizer que o Executivo deve enviar novas medidas de ajuste fiscal nos próximos meses. "Não vamos aumentar impostos. É no sentido de fazer redução de despesas; racionalizar o uso do dinheiro público."
Rossoni não quis comentar o fato de os servidores não terem acessado as galerias. "Não cabe ao representante do governo fazer comentários sobre questões internas da Assembleia." Segundo ele, o governo não vive um embate com os servidores. "O que tem é diálogo. Agora, só podemos dialogar em cima de uma realidade. Estamos vivendo um momento de crise, de grandes dificuldade, onde o Paraná se destaca, por saldar seus compromissos em dia. É preciso fazer uma pequena reflexão, olhando os estados vizinhos."

Mariana Franco Ramos
Mariana Franco Ramos - Barrados pelos seguranças, professores se concentraram do lado de fora da AL e impediram também a entrada de trabalhadores da Assembleia
Barrados pelos seguranças, professores se concentraram do lado de fora da AL e impediram também a entrada de trabalhadores da Assembleia


COMPOSIÇÃO
Dos 11 integrantes da Mesa, que assinaram ontem o termo de posse, dois são "novatos". Ney Leprevost (PSD) e Ademir Bier (PMDB) deram lugar a Guto Silva (PSD) e Wilmar Reichembach (PSC), respectivamente. Desta forma, a oposição, que costumava ocupar a segunda secretaria, ficou sem nenhum cargo na direção da Assembleia. A bancada hoje possui apenas sete membros, número insuficiente até mesmo para se lançar na disputa.
 Ao invés de manter o PMDB, que passou de oito para quatro representantes na última janela partidária, Traiano optou por "acomodar" as duas siglas controladas pelo deputado licenciado Ratinho Jr. (PSD), mais votado no pleito de 2014. O bloco informal do atual secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano conta com 14 parlamentares, sendo oito do PSD e seis do PSC.
Mariana Franco Ramos
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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