Câmara de Londrina abre Comissão Processante contra Boca Aberta



Dezesseis dos 19 vereadores votaram a favor da abertura da Comissão Processante contra o vereador Emerson Petriv (PR), Boca Aberta, numa sessão tumultuada nessa quinta-feira (6) na Câmara Municipal de Londrina. Apenas Jairo Tamura (PR) e Guilherme Belinati (PP), além do próprio investigado votaram contra admissibilidade da denúncia. Boca Aberta será investigado por possível quebra de decoro parlamentar ao pedir dinheiro nas redes sociais para pagar uma multa eleitoral no valor de R$ 8 mil. A representação foi protocolada no Legislativo no mês março pela enfermeira Regina Amâncio, para quem o vereador teria cometido o crime de estelionato.

Antes da sessão, a Justiça negou liminar requerida pela defesa de Boca Aberta para tentar impedir o voto de cinco vereadores: Jamil Janene (PP), Junior Santos Rosa (PSD), Roberto Fu (PDT), Rony Alves (PDT) e Vilson Bittencourt (PSB). Na decisão, o juiz da 2ª Vara de Fazenda Pública, Emil Tomás Gonçalves, concluiu que por se tratar de julgamento político, "ato interna corporis" da Câmara Municipal, não caberia adoção de regras de impedimento e suspeição. A defesa alegou que os cinco parlamentares não poderiam participar do processo porque, como juízes, não seriam imparciais. Todos têm processos contra Boca Aberta.

A primeiro item da pauta foi a leitura da denúncia e das 18 páginas da defesa pelo presidente da Câmara, Mario Takahashi (PV). Na sequência, Boca Aberta teve 20 minutos para fazer a defesa oral diante das galerias lotadas de manifestantes convocados por ele. O vereador levantava o público com palavras de ordem, a mais ouvida foi: "Não há crime".

Para evitar a abertura de CP, Boca Aberta ressaltou a qualidade dos "novatos" (vereadores que estão no primeiro mandato), mas não obteve sucesso. O voto de cada parlamentar foi feito de forma nominal, por ordem alfabética, ou seja, atendeu a uma exigência feita pela defesa dele antes da votação.

Depois do destino selado com a abertura da CP e da confusão nas galerias entre a denunciante Regina Amâncio e manifestantes, Boca Aberta se disse surpreso com o resultado: "É um complô, eles querem a qualquer preço cassar meu mandato. Eu jamais cogitei renunciar ao cargo porque tenho caráter. Tudo que eu tentar argumentar agora será em vão, o julgamento aqui é político, não tem antídoto", respondeu. O parlamentar alega que o único caminho da defesa a partir de agora será técnico, na Justiça. "É simples, quem tem processo na Justiça contra mim não poderia ter votado e eles votaram. Vamos recorrer", rebateu.



BATATA QUENTE 

O sorteio dos três membros que irão compor a Comissão Processantes foi retomado uma hora e meia depois de toda a confusão. Foram definidos Jamil Janene (presidente), Rony Alves (relator) e como membro Felipe Prochet (PSD). Outros seis vereadores não quiseram assumir a tarefa e se declararam impedidos. Os parlamentares Roberto Fu e Junior Santos Rosa alegaram que têm processo na Justiça contra Boca Aberta por ofensas. Filipe Barros (PRB), que tem uma representação aberta contra si na Comissão de Ética, declinou. Correligionário de Boca Aberta, Jairo Tamura (PR) também renunciou. Ailton Nantes (PP) e João Martins (PSL) deram como justificativa o cargo que ocupam na Mesa Executiva.

Os trabalhos da CP já têm data de início agendada para segunda-feira (10). Os membros terão 90 dias para concluir o relatório. "Primeiro precisamos buscar documentos, colher provas, ouvir testemunhas. Ainda seria precoce e leviano informar que essa comissão tem objetivo cassar o mandado de Boca Aberta. Não se pode tratar o assunto por pecuinha e desavenças pessoais. Será uma investigação totalmente embasada na lei", completou o relator da CP, vereador Rony Alves.
Guilherme Marconi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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