Ossada encontrada em mata na zona norte pode ser humana



Ossos passarão por análise laboratorial para que a perícia chegue a resultados mais conclusivos


Uma ossada foi encontrada em meio a uma mata na manhã desta quinta-feira (19) nas proximidades da rua Senjiro Horaguchi, no Jardim Primavera (zona norte de Londrina). Embora houvesse ossos de animais misturados, há suspeitas de que alguns dos ossos podem ser humanos, entre eles uma tíbia.

Investigadores da Delegacia de Homicídios e a perícia da Polícia Científica chegaram ao local depois que Maria Natalícia da Silva, mãe do desaparecido Valdecir Farias da Silva, ouviu de uma testemunha que o filho dela havia sido enterrado na área oito anos atrás. Ela foi com familiares ao local indicado por uma testemunha, mas outra indicou que o corpo poderia estar em uma mata fechada próxima dali.

A dona de casa Maria Natalícia da Silva, 54, e outros membros da família foram até a mata e iniciaram as escavações. Encontraram uma tíbia, que possivelmente é humana. Desesperada por notícias do filho, ela disse à reportagem que o osso provavelmente era de seu filho, que tinha 23 anos e trabalhava em um frigorífico na época do desaparecimento.

"Reconheci as roupas dele. Foi tirado um saco de lixo cheio de ossos. Essa pessoa disse que viu certinho, que era ali na trilha que era para cavar. Durante todo esse tempo tive notícia que ele estava desaparecido. Ele teve uma passagem por porte de drogas no 5º Distrito, mas depois falaram que ele pode ter sido morto porque estavam roubando a vila, mas depois descobriram que não era ele. Aí já era tarde. Falaram para mim que ele tinha sido morto, mas nunca soube onde ele estava. Quando vi a ossada e as vestes todas podres entrei em desespero", declarou Silva.

Depois dessa descoberta, o Corpo de Bombeiros, policiais civis e familiares continuaram as escavações, tentando encontrar mais ossos humanos. A equipe encontrou alguns ossos de animais, mas há a possibilidade de que parte desse material recolhido pode ser de humanos. Segundo o perito que estava no local e que pediu para não ser identificado, só uma análise laboratorial permitirá obter resultados mais conclusivos, já que a análise visual não permitiu isso, pois alguns dos ossos estavam fragmentados.

Enquanto era feita a escavação, Maria Natalícia Silva ora acompanhava o trabalho, ora permanecia recolhida, de cócoras, bastante emocionada. Ela afirmou que a testemunha resolveu divulgar o local porque não aguentava mais ver a sua angústia.

O perito disse que não é possível dizer sequer de que cor eram essas peças que foram encontradas originalmente, já que elas estavam todas sujas de barro e em farrapos, quanto mais determinar se eram de Valdecir Silva. Ele afirmou também que o depoimento da testemunha que apontou que Valdecir foi enterrado ali deve ser colhido com cautela, já que a testemunha é usuária de drogas.

O investigador André Sanchez, da Delegacia de Homicídios, cogita a possibilidade de que o restante dos ossos tenha sido removido do local. "Este osso não é de cachorro, mas é estranho não encontrar o restante do material. Nós só temos uma suspeita de que ele é humano. Se for comprovado isso, será preciso realizar um exame de DNA e coletar material genético da família para constatar se é dessa pessoa desaparecida ou não", apontou.

De acordo com levantamento realizado pela reportagem, caso seja confirmado que o osso é o humano, este pode ser o décimo segundo corpo encontrado desovado em Londrina em 2017.

Caso seja confirmado que o osso é o humano, este pode ser o décimo segundo caso de corpo encontrado desovado na cidade este ano.

Em fevereiro foi encontrado o corpo de João Paulo Fonseca Santos, foi morto com diversos disparos de arma de fogo no distrito de Lerroville (zona rural de Londrina).

Em março, o corpo de um homem de aproximadamente 40 anos foi encontrado àsmargens da avenida Saul Elkind (zona norte). 

Em junho deste ano foi achado o corpo de Sandro Tagliari, na estrada velha do distrito da Warta, que liga o distrito ao Jardim Paris (zona norte). Ele foi encontrado nu e amordaçado, com sinais de tortura.

Em julho foi encontrado o corpo do ex-agente de cadeia pública, Diego Lapchenski, 23, que estava na chamada Estrada da Pedreira, que liga o Conjunto Jamile Dequech ao Conjunto Cafezal (zona sul). Ainda em julho foi encontrado o corpo de Paulo César Dhein de Oliveira, 35 anos, que estava parcialmente enterrado em uma mata na região de Tamarana (zona rural de Londrina).

Em agosto foi encontrado o corpo de Leandro do Carmo Vieira, 43, que estava em um poço dentro de uma chácara na rua Angelina Tardivo Sisti, que fica nos fundos do Jardim Graziela e do bairro Cervejaria (zona leste). No mesmo mês foi encontrado o corpo de Fernanda Nogueira Acorsine Calixto Oliveira, 24, nas proximidades do Lago Cabrinha, aos fundos do conjunto Violim (zona norte). Ela possuía duas perfurações de arma de fogo pelo corpo.

Em setembro deste ano foi encontrado o corpo de uma mulher nas margens do lago Igapó em estado avançado de decomposição (zona sul). Ela estava sem as roupas e foi localizada debaixo de galhos por um funcionário de uma empresa terceirizada da prefeitura que faz a limpeza do local de barco. Ainda em setembro foi encontrado o corpo do agente educacional Antônio Maximiano Filho, de 30 anos, que trabalhava no colégio estadual Roseli Piotto (zona norte). Ele foi encontrado em uma plantação de milho próximo da rodovia PR-445, na zona rural de Bela Vista do Paraíso. Ele foi encontrado com membros superiores e inferiores da vítima amarrados com o cinto de segurança do próprio carro.

Neste mês o corpo de um adolescente de 15 anos foi encontrado nas margens do córrego Quati (zona norte). Poucos dias depois a polícia encontrou o corpo de Jhonatan Marcondes, de 28 anos, que estava enterrado em uma mata atrás do residencial Flores do Campo (zona norte), que estava com as mãos amarradas e possuía sinais de tortura.
Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA
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