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Diferença salarial entre homens e mulheres chega a 25,6% no Paraná

No Paraná, o salário médio das mulheres foi de R$ 1.838 enquanto o dos homens ficou em R$ 2.473


O rendimento médio da mulher paranaense é 25,6% menor do que o do homem, conforme a última PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) anual, divulgada em dezembro pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A diferença é menor do que na média nacional, que está em 23,5%, já que Estados com salários maiores do Sul e do Sudeste tendem a apresentar distâncias mais significativas.

Os especialistas em mercado de trabalho afirmam que é nos salários mais altos, de cargos mais especializados, que se concentram as maiores diferenças. São nesses casos em que os reajustes são negociados. Nos postos de trabalho menos valorizados ou quando se paga apenas o piso, é comum que homens e mulheres tenham a mesma remuneração.

No Paraná, os homens receberam uma média de R$ 2.473 e as mulheres, R$ 1.838, segundo o rendimento mensal real habitualmente recebido a preços médios de 2016 da PNAD. No País, os valores foram R$ 2.294 e R$ 1.755, respectivamente.

Contudo, houve queda na diferença no Estado, de acordo com dados do IBGE compilados pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) e divulgados na última segunda-feira (12) pela Agência Estadual de Notícias. A diferença era de 32,1% em 2012, com rendimento médio dos homens de R$ 2.442 e das mulheres de 1.658.

Katy Maia, professora do Departamento de Economia e do mestrado em economia regional da Universidade Estadual de Londrina chegou à conclusão, em projeto de pesquisa sobre o tema, que a desigualdade salarial entre homens e mulheres é menor em regiões mais carentes. "A pobreza iguala. Quanto mais desenvolvida a região, maior a concorrência e maior a discriminação contra a mulher, principalmente a não branca."

A professora diz ver um cenário mais animador para o futuro. "Tem diminuído a discriminação." Porém, ainda há muito o que se fazer. Afinal, mesmo com mais anos de estudo, elas ainda ganham menos que os homens. Conforme dados do IBGE divulgados pelo Ipardes, em média, as mulheres brasileiras com 25 anos ou mais têm 8,2 anos de estudo, contra 7,8 anos dos homens. "O que faz elas não ganharem mais que os homens é a discriminação."

Políticas afirmativas por parte do Estado e estímulo à permanência das mulheres nas empresas são fundamentais, diz Katy. "O papel do Estado é importante para reduzir a desigualdade. Na Câmara, no Congresso e mesmo em uma grande empresa, quantas ocupam cargos de chefia? Faltam políticas afirmativas nessa área, e também o que falta muito é creche, porque a responsabilidade sobre as crianças vai continuar sendo das mulheres por muito tempo. Se uma criança não tem creche não é o homem quem deixa de trabalhar, é a mulher. Trabalha meio período, sai do mercado de trabalho para depois voltar."

Conforme o Ipardes, fatores como a preponderância de mão de obra feminina no trabalho doméstico e a maior incidência de jornada de trabalho de seis horas entre as mulheres ainda pressionam para baixo o seu rendimento.



ABRIR ESPAÇO
No mundo corporativo, mulheres observam que são poucas as que ocupam cargos de chefia, fator que aumenta a diferença salarial entre os gêneros. Lorraine More, gerente de marketing de uma empresa de comunicação visual de Londrina, também reconhece que ainda não são muitas as que ocupam cargos mais altos dentro das empresas brasileiras. "Ainda falta abrir espaço para as mulheres no mercado de trabalho, embora se esteja reconhecendo mais as suas competências. Ainda existem barreiras e precisamos entender quais."

Para ela, a cultura pode ser considerada uma dessas barreiras. "A cultura brasileira ainda é muito voltada para a masculinidade." Lorraine tem nível de MBA e diz acreditar que os anos de estudo contam para a evolução da carreira e do rendimento das mulheres. "Continuo estudando sempre. Foram muitos anos e com certeza isso ajuda bastante a nossa bagagem a ser maior que a dos nossos colegas. Mas as mulheres em geral também tentam se provar mais. Isso faz com que ela acabe crescendo."
Fabio Galiotto e Mie Francine Chiba
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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