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Empresários e servidor municipal são presos pelo Gaeco

Entre os documentos apreendidos com um dos presos, segundo MP, estavam anotações em agenda que revelariam a "prática criminosa recorrente"


O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu nessa quarta-feira (28) três dos 13 denunciados no suposto esquema de corrupção deflagrado pela Operação ZR3 para mudanças pontuais de zoneamento urbano na Câmara Municipal de Londrina. O juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, acatou o pedido de prisão preventiva (prazo indeterminado) contra o suposto lobista e empresário Luiz Guilherme Alho, o funcionário público Ossamu Kaminakagura (ex-diretor de Loteamentos da Secretaria de Obras) e Vander Mendes Ferreira, que também é empresário do setor imobiliário. Os três foram transferidos para a PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), na região sul. Como possuem ensino superior, ficarão em celas separadas dos demais presos.

De acordo com o promotor do Gaeco Leandro Antunes, os pedidos das preventivas foram feitos à Justiça no dia do oferecimento da denúncia (9 de fevereiro), mas estavam mantidos em sigilo. O MP (Ministério Público) considerou que fatos novos - descobertos em documentos e nos celulares apreendidos na deflagração da ZR-3 - agravaram a situação dos três réus. "Demonstram reiteração das práticas delitivas. Ou seja, que eles estavam cometendo crimes em série", disse. Segundo Antunes, no dia 24 de janeiro, data em que ocorreu a operação, foi apreendido um cheque de R$ 30 mil reais na casa de um dos réus, Homero Wagner Fronja, que estaria assinado pelo empresário Mendes, destinado a Kaminagakura como propina. Mendes é acusado de corrupção ativa e o servidor público, por corrupção passiva.

O promotor disse ainda que as anotações encontradas na agenda de Luiz Guilherme Alho (denunciado de corrupção passiva e ativa) revelariam a prática criminosa recorrente dos presos. "Fatos que revelavam um modo de agir, a reiteração da prática de crimes de corrupção." Todos respondem na ação penal também por organização criminosa.

O OUTRO LADO 
O advogado Luciano Molina, que defende Luiz Guilherme Alho, classificou de arbitrária a prisão do empresário. "Estão criando factoides para prendê-lo e forçá-lo a fazer declarações para uma eventual delação premiada. É muito mais cômodo prender para investigar do que investigar para prender". Ele disse ainda que não há fato novo que motiva o pedido de prisão preventiva. "A defesa não teve oportunidade de se manifestar no processo, só acusação. Ele não ficou em silêncio e já esclareceu que todos os fatos são dentro da sua atividade laboral", disse Molina.

Já o advogado do empresário Vander Mendes, Alfeu Brassaroto Júnior, avaliou a medida como extrema. "Até porque ele estava cumprindo rigorosamente todas as obrigações e não manteve contato com os demais réus. O Vander nunca pagou ou prometeu qualquer vantagem a título de propina. Suas atitudes como empresário foram pautadas dentro da legalidade", comentou. O advogado explicou que Mendes é proprietário da empresa V.M Loteamentos, que atua na regularização dos terrenos. "Ele nunca entrou com pedido de alteração de zoneamento, a empresa era responsável em um segundo momento para regularizar as plantas dos lotes com a Prefeitura."

O advogado Gabriel Bertin, que defende Kaminakagura, não quis se pronunciar porque ainda está "tomando conhecimento do processo".

ORDEM PÚBLICA
O promotor do Gaeco rebateu as críticas ao alegar que os pedidos de prisão não estão relacionados ao descumprimento das medidas cautelares. "No nosso entendimento esses fatos novos abalam a ordem pública". Antunes revelou ainda que novas perícias nos celulares dos réus poderão revelar outros crimes. O Gaeco aguarda ainda o envio do material periciado pelo Instituto de Criminalística.

Segundo o MP, o grupo era comandado pelos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). Além dos presos também são investigados a ex-presidente do Ippul na gestão Alexandre Kireeff, Ignês Dequech, o ex-secretário do Ambiente, Cleuber Brito, na mesma administração, os empresários Brasil Theodoro Mello, Antônio Carlos Gomes Dias, José de Lima Castro Neto e Homero Wagner Fronja e o ex-assessor parlamentar Evandir Duarte de Aquino. Os demais réus permanecem com as medidas cautelares de afastamento dos cargos públicos e impedidos de frequentar a Câmara e a Prefeitura. Apenas Dequech conseguiu revogar na Justiça o uso da tornozeleira eletrônica.
Guilherme Marconi e Rafael Machado
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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