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Maio Amarelo conscientiza sobre violência no trânsito

Alunos da rede municipal participaram de caminhada nas proximidades da praça Nishinomiya (zona leste)


Idosos e motociclistas são os principais alvos da campanha Maio Amarelo, lançada na segunda-feira (2) pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) com objetivo de conscientizar pedestres e motoristas sobre violência no trânsito. O lançamento ocorreu na praça Nishinomiya (zona leste) com participação de Guarda Municipal, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Estadual, Polícia Rodoviária Federal e Detran. Alunos da rede municipal e outros participantes do evento fizeram uma caminhada de aproximadamente 500 metros para chamar a atenção para o grande número de mortos e feridos no trânsito local. 



O novo diretor de trânsito da CMTU, tenente-coronel Pedro Ramos, afirmou que assume a função com o objetivo de levantar dados para verificar a realidade do trânsito em Londrina e, a partir deles, tomar medidas efetivas para diminuir a violência. "Vamos identificar as potenciais vítimas para desenvolver um programa de retenção à vida. Em seguida, queremos melhorar a fluidez do trânsito e a mobilidade urbana para promover ganhos em qualidade de vida", disse. 

Uma análise preliminar das estatísticas já aponta risco de atropelamento de idosos e acidentes envolvendo motociclistas e ciclistas. Por isso, paralelamente às atividades do Maio Amarelo, a companhia vai realizar ações específicas para a população idosa. "Vamos levar orientações e informações aos locais onde costumam se reunir", antecipou. 

Em relação aos motociclistas, Ramos afirmou que serão intensificadas as ações de fiscalização. "Só a orientação não resolve. Percebemos que as pessoas que se envolvem em acidentes são habilitadas, mas não aplicam o conhecimento que receberam", criticou, destacando que, no carro ou na moto, as maiores causas de acidentes em Londrina são avanço de sinal, excesso de velocidade e uso indevido de celular. 

A programação da campanha terá uma ação exclusiva para motociclistas nos dias 24 e 25 de maio. A blitz "Pilote em direção à vida" visa trazer orientações gerais de segurança a quem usa motos como meio de transporte. 

AÇÕES 
As ações do Maio Amarelo iniciam na quinta e na sexta-feira (dias 3 e 4), em avenidas de grande movimentação em diversas áreas da cidade, com blitze educativas da campanha "Olhe e Sinalize". Os agentes vão orientar condutores sobre a importância de dar preferência ao pedestre durante as travessias nas faixas de segurança. A iniciativa será acompanhada por distribuição de panfletos e adesivos alusivos ao tema. 

Entre os dias 7 e 12, com o mote "Ambulância não é carona", encenações curtas e impactantes, realizadas no período noturno em bares e restaurantes, pretendem sensibilizar o público quanto aos perigos da combinação letal entre álcool e direção. 

Do dia 15 ao dia 19, o patrulhamento contra o excesso de velocidade será intensificado nas vias do município, inclusive durante a noite. O objetivo é que os motoristas flagrados abusando do acelerador no decorrer das diligências sejam parados e recebam instruções educativas. 

Já no final da programação, entre os dias 29 e 30, mais uma edição da pedalada Ciclo Sesc, somada a intervenções em vagas de estacionamento, propõem incentivar formas de transporte que favoreçam a mobilidade urbana. 

Ramos reforçou que as ações de fiscalização serão intensificadas durante o mês. "Quem for flagrado cometendo infração será penalizado", insistiu, lembrando que além de propor ações que valorizem a vida e incentivem comportamentos de tolerância e empatia, a iniciativa tem por objetivo evidenciar a responsabilidade de cada um na construção de relações humanizadas no dia a dia das ruas. Só em 2017, 90 pessoas morreram no trânsito em Londrina. No total, as vias do município contabilizaram 3.711 acidentes com 4.395 feridos. 

RISCOS 
Idosos que costumam trafegar por Londrina como pedestres ou motoristas reclamam que o trânsito do município não é acolhedor. "Costumo dirigir e também andar à pé e percebo que as pessoas não têm paciência. Falta educação e respeito", reclamou o aposentado Geraldo Marques, 85, que desistiu de usar o carro para ir ao Centro por falta de acesso às vagas exclusivas de estacionamento. "Prefiro usar ônibus e tomar cuidado", conta. Procurar faixas de segurança e semáforos na hora de atravessar faz parte da estratégia usada pelo aposentado para não ser vítima de atropelamentos em Londrina. "Não dá para atravessar em qualquer lugar", ensina. 

Hamilton Dias Pereira, 77, também é aposentado e reclama das mesmas dificuldades. "Ninguém respeita as vagas exclusivas para idosos, então acabo estacionando longe dos lugares onde preciso ir e tenho que andar à pé", lamenta. Ele acha que as campanhas de conscientização sobre o uso da faixa melhoraram a travessia para pedestres em Londrina, mas garante que toma muito cuidado para não se tornar vítima de atropelamento. "Mesmo na faixa presto atenção e só atravesso quando os carros param, pois infelizmente não é todo mundo que respeita." 

A empresária Sueli Dias precisa se locomover com o filho Pedro Henrique, 10 anos, que usa cadeira de rodas, e também reclama de desrespeito no trânsito. "Ninguém respeita as vagas para deficientes. Além disso, nem todas as calçadas são adequadas para cadeirantes", lamenta ela, que também aponta falta de educação entre os motoristas apesar de reconhecer a eficiência das campanhas para uso da faixa de segurança. "Nem todo mundo para, mas de uns tempos para cá está mais fácil atravessar. A educação para o trânsito deve começar na infância", diz. 

Falta de educação também é a reclamação do professor Miguel Diez, que costuma usar bicicleta para ir ao trabalho e também como esporte. "Os motoristas não respeitam a distância de um metro e meio dos ciclistas, que é prevista na lei", afirmou. Para ele, a falta de ciclovias e o trânsito pouco acolhedor desestimulam o uso das bikes pela população. "Se o trânsito fosse mais seguro, mais pessoas poderiam usar", acredita.
Carolina Avansini
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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