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Crianças de aldeia em Tamarana são imunizadas contra Covid


 Logo muitos pais passaram a contar os dias para ver os filhos imunizados, em especial os indígenas como Seremramiwe, que viram que a espera da imunização desses jovens estava próxima do fim. Aqui na região, das 5.150 doses que a 17ª Regional de Saúde de Londrina recebeu para crianças de 5 a 11 anos, 420 foram destinadas para Tamarana (Região Metropolitana de Londrina) e 350 delas direcionadas para a população indígena. 

A estimativa é de que 3.125 indígenas de 5 a 11 anos serão vacinados no Paraná, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde. Da primeira remessa de 65,5 mil imunizantes que chegou na sexta-feira (14) para iniciar a vacinação infantil, a Secretaria de Estado da Saúde encaminhou às regionais 3,5 mil doses para aplicação nas crianças indígenas, incluindo a reserva técnica. Com isso, todas as crianças nessa faixa etária que vivem em 78 aldeias do Paraná, localizadas em 50 municípios diferentes, serão atendidas já nessa primeira fase.

PRIMEIRO VACINADO INDÍGENA

A primeira criança indígena a receber a dose foi Gustavo Tógfên Rodrigues Galdino, de 11 anos, filho do professor Cláudio Galdino. A vacinação ocorreu na manhã desta terça-feira (18), na Reserva do Apucaraninha. Cláudio Galdino afirmou que para eles a vacinação de crianças foi "muito importante". “Faz alguns meses que a gente estava esperando essa vacina. A gente está muito agradecido. Meu filho ficou muito feliz. Ele já queria ser vacinado faz tempo”, declarou.

O filho dele já teve Covid-19, mas o caso não foi muito grave. “A mãe dele também teve e meus pais também. O caso mais grave foi de minha mãe, por conta da idade dela, 76 anos, mas ela se recuperou bem, graças a Deus.” 

Segundo a secretária de Saúde de Tamarana, Viviane Granado, 315 crianças indígenas nessa faixa etária vivem no município. “As crianças não foram todas vacinadas nesta terça (18), mas todas devem ser contempladas neste lote". "As crianças estavam todas caracterizadas com roupas e pinturas da cultura indígena.. Foram vacinadas pela técnica de enfermagem Maria Margarete Moura", destacou.

A segunda criança a receber a dose da vacina foi Daniel Oré Piraí, de 10 anos, filho da técnica de enfermagem Lusinete Alves de Oliveira Piraí. Já a terceira foi Annaíse Tare Piraí Amaral, de 8 anos, filha de Luzinaide Piraí Amaral, que é AIS (Agente Indígena de Saúde) e trabalha na UBS da Reserva do Apucaraninha.

"FOI UMA ALEGRIA"

A AIS Luzinaide Piraí Amaral, mãe de Annaíse, não escondeu a alegria. “Muitas pessoas já se vacinaram e faltavam as nossas crianças. Eu fiquei muito contente. Se eles pegarem a Covid-19, os sintomas serão leves”, afirmou. Luzinaide conta que já pegou Covid-19 e o marido dela também, mas que eles não tiveram sintomas graves. “A Covid-19 levou muitas pessoas, não só da população indígena, como de fora também. Tenho medo de perder parentes queridos. A gente viu tantas mortes pela televisão e a situação era desesperadora. Quando chegou a vacina, a gente questionava quando seria feita para as crianças”, declarou.


PRIMEIRO DIA


A enfermeira Adriana Fátima da Silva Mita, 42, é a chefe da única UBS da Reserva do Apucaraninha, e que é vinculada à Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). “Quando a vacina chegou, os agentes de saúde convocaram todos e usaram também a rádio comunitária, que avisa pelo alto-falante. Nesse primeiro dia, designamos duas técnicas para vacinar 150 pessoas, porque no Apucaraninha são 183 pessoas, mas depois tem as outras aldeias. Se a gente abrisse as outras vacinas, não conseguiria deslocar para as outras aldeias. Optamos por levar um pouco de cada vez para fazer [a vacinação] em uma aldeia e depois levamos mais um pouco para outra. Assim a gente não perde nenhuma dose." Nesta quarta-feira (19), a vacinação será nas aldeias Água Branca, Barreiro e na Serrinha. “O sentimento é de muita esperança. Nesse momento não temos nenhum caso de Covid-19, mas já tivemos muitos casos no passado, inclusive com três óbitos”, lamentou Mita.


FONTE - FOLHA DE LONDRINA

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