Em luto, Alvorada vela vítimas de naufrágio
Comércio fechado e ruas vazias marcaram o dia na cidade da Região Metropolitana de Londrina
Corpos dos produtores rurais Leandro Alves e Antônio Pontelo foram dois dos primeiros a serem resgatados
Alvorada do Sul - Comércio fechado, ruas vazias, Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina) começou a viver ontem o luto pelas perdas de alguns de seus filhos no naufrágio de um barco-hotel no Rio Paraguai, na divisa do Mato Grosso do Sul com o país vizinho. O Centro Social da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no centro da cidade, ficou lotado desde o início da tarde para o velório dos produtores rurais Leandro Donizete Alves e Antônio Moacir Pontelo, cujos corpos haviam sido encontrados na última quinta-feira pelas equipes de resgate da Polícia Civil e Corpo de Bombeiros de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, e da Armada Paraguaia. Mais cinco corpos foram localizados ontem, sendo que até o fim da edição a polícia identificou três: o do fazendeiro Manoel Coelho Siena, também morador em Alvorada do Sul, Paulo Aparecido Barbosa e Eloy Evilácio Miller, ambos de Londrina. Ao todo, já chega a oito o número de mortos na tragédia. Seis pessoas ainda permaneciam desaparecidas.
No momento em que naufragou, após um tornado que atingiu a região de Porto Murtinho por volta das 17h15 da última quarta-feira, o barco-hotel tinha 26 pessoas a bordo, sendo dez tripulantes e 16 turistas. Segundo informou ontem o capitão-tenente Alexandre Brandão, da Agência Fluvial de Porto Murtinho, cinco turistas (quatro de Alvorada do Sul e um de Londrina) e sete tripulantes paraguaios sobreviveram ao acidente.
Os cinco paranaenses só devem retornar ao Estado depois que os desaparecidos forem localizados. O capitão-tenente salientou que as equipes de resgate estão fazendo uma varredura com duas embarcações pelo Rio Paraguai e suas margens num raio de até 40 quilômetros do local do naufrágio, que ocorreu no lado paraguaio do rio. "As chances de sobrevivência diminuem com o passar do tempo, mas existe a possibilidade de que alguns desaparecidos tenham se agarrado nas margens. Continuaremos tratando essas pessoas como desaparecidas", disse Brandão. O delegado titular de Porto Murtinho, Rodrigo Nunes Zanatta, explicou que a polícia está auxiliando a Armada Paraguaia na procura e identificação das vítimas e que só será possível saber se há corpos no interior da chalana quando a embarcação for retirada do rio.
COMOÇÃO
O clima era comoção coletiva no velório de Leandro Donizete Alves e Antônio Moacir Pontelo, ontem, em Alvorada do Sul. Os corpos ainda não haviam chegado até o Centro Social da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro até as 18h30. As informações eram que por conta da chuva eles teriam desembarcado no aeroporto de Miraselva e seriam preparados em Astorga antes de seguirem por estrada para Alvorada do Sul. Esposa de Antônio Moacir Pontelo, a professora Ida Celeste Pontelo contou que o marido, produtor de soja e milho na região, estava meio desanimado com a viagem ao Pantanal. "Ele comentou que achava que a viagem não ia dar em nada, que o pessoal estava meio desanimado e que não estava querendo ir. Mas eu falei que ele tinha que aproveitar a oportunidade, ele gostava muito de pescar, inclusive foi várias vezes para o Mato Grosso", disse. Reunir forças para seguir a vida é o que Ida disse que tem que fazer. "Aumenta a responsabilidade, mas com a ajuda dos meus dois filhos, vamos conseguir." Moacir gostava de pescar e cozinhar. Parentes relataram que no momento em que o barco virou, ele estaria no refeitório temperando a carne para um churrasco que os passageiros haviam oferecido aos tripulantes da embarcação quando atracassem no porto. Os familiares de Leandro Donizete Alves não quiseram falar com a imprensa. Produtor de soja, ele nasceu em Alvorada, mas há alguns anos vinha morando em Londrina, terra da esposa, cuja família é conhecida na cidade.
As histórias das vítimas e dos sobreviventes do naufrágios e misturam porque são familiares e amigos envolvidos. O Leandro era sobrinho do fazendeiro Manoel Coelho Siena, que deve ser velado hoje em Alvorada do Sul. "É tudo muito triste. A gente nem sabe o que pensar", afirmou Vanda Videira, sogra de Manoel e cunhada de Leandro Alves. A tragédia poderia ser ainda maior. O pai de Manoel Siena também participa da excursão pesqueira ao Pantanal, mas ele acabou ficando em uma outra embarcação. Pelos relatos de parentes e amigos de Siena, é de se esperar um clima de muita consternação no velório do fazendeiro, previsto para hoje, já que o corpo dele deveria chegar a Alvorada nesta madrugada.
No momento em que naufragou, após um tornado que atingiu a região de Porto Murtinho por volta das 17h15 da última quarta-feira, o barco-hotel tinha 26 pessoas a bordo, sendo dez tripulantes e 16 turistas. Segundo informou ontem o capitão-tenente Alexandre Brandão, da Agência Fluvial de Porto Murtinho, cinco turistas (quatro de Alvorada do Sul e um de Londrina) e sete tripulantes paraguaios sobreviveram ao acidente.
Os cinco paranaenses só devem retornar ao Estado depois que os desaparecidos forem localizados. O capitão-tenente salientou que as equipes de resgate estão fazendo uma varredura com duas embarcações pelo Rio Paraguai e suas margens num raio de até 40 quilômetros do local do naufrágio, que ocorreu no lado paraguaio do rio. "As chances de sobrevivência diminuem com o passar do tempo, mas existe a possibilidade de que alguns desaparecidos tenham se agarrado nas margens. Continuaremos tratando essas pessoas como desaparecidas", disse Brandão. O delegado titular de Porto Murtinho, Rodrigo Nunes Zanatta, explicou que a polícia está auxiliando a Armada Paraguaia na procura e identificação das vítimas e que só será possível saber se há corpos no interior da chalana quando a embarcação for retirada do rio.
COMOÇÃO
O clima era comoção coletiva no velório de Leandro Donizete Alves e Antônio Moacir Pontelo, ontem, em Alvorada do Sul. Os corpos ainda não haviam chegado até o Centro Social da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro até as 18h30. As informações eram que por conta da chuva eles teriam desembarcado no aeroporto de Miraselva e seriam preparados em Astorga antes de seguirem por estrada para Alvorada do Sul. Esposa de Antônio Moacir Pontelo, a professora Ida Celeste Pontelo contou que o marido, produtor de soja e milho na região, estava meio desanimado com a viagem ao Pantanal. "Ele comentou que achava que a viagem não ia dar em nada, que o pessoal estava meio desanimado e que não estava querendo ir. Mas eu falei que ele tinha que aproveitar a oportunidade, ele gostava muito de pescar, inclusive foi várias vezes para o Mato Grosso", disse. Reunir forças para seguir a vida é o que Ida disse que tem que fazer. "Aumenta a responsabilidade, mas com a ajuda dos meus dois filhos, vamos conseguir." Moacir gostava de pescar e cozinhar. Parentes relataram que no momento em que o barco virou, ele estaria no refeitório temperando a carne para um churrasco que os passageiros haviam oferecido aos tripulantes da embarcação quando atracassem no porto. Os familiares de Leandro Donizete Alves não quiseram falar com a imprensa. Produtor de soja, ele nasceu em Alvorada, mas há alguns anos vinha morando em Londrina, terra da esposa, cuja família é conhecida na cidade.
As histórias das vítimas e dos sobreviventes do naufrágios e misturam porque são familiares e amigos envolvidos. O Leandro era sobrinho do fazendeiro Manoel Coelho Siena, que deve ser velado hoje em Alvorada do Sul. "É tudo muito triste. A gente nem sabe o que pensar", afirmou Vanda Videira, sogra de Manoel e cunhada de Leandro Alves. A tragédia poderia ser ainda maior. O pai de Manoel Siena também participa da excursão pesqueira ao Pantanal, mas ele acabou ficando em uma outra embarcação. Pelos relatos de parentes e amigos de Siena, é de se esperar um clima de muita consternação no velório do fazendeiro, previsto para hoje, já que o corpo dele deveria chegar a Alvorada nesta madrugada.
Diego Prazeres-FOLHA DE LONDRINA

