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Atletas buscam alternativas para manter vivo o sonho do esporte

Os gêmeos Kauan e Rhuan dos Santos Lourenço vendem geladinhos para custear as despesas quando participam de competições de taekwondo em outras cidades.

A maioria dos esportistas brasileiros não recebe o devido apoio para participar de competições e treinar e muitos dependem do chamado "paitrocínio", isto é, o custeio de todas as despesas pelos pais do atleta. No entanto, nem todas as famílias possuem condições de arcar com esses gastos. Os atletas de taekwondo Kauan e Rhuan dos Santos Lourenço, ambos de 14 anos, são um exemplo disso. Moradores do residencial Horizonte (zona norte de Londrina), os dois vendem geladinhos para bancar as viagens para participar de competições.

O pai dos jovens, o técnico de manutenção Newton Lourenço Júnior, relata que não tinha mais condições de custear as viagens. "Eu estava me endividando", lamenta Newton. Foi ele quem levou os filhos a praticar o taekwondo. "Mas em vez de ser um negócio bacana, estava sendo um transtorno", explica.

A primeira tentativa de vender os geladinhos foi utilizando os preparados em pó que são vendidos em mercados. "Comprei e não gostei. Aí, fui colocando outros ingredientes até achar que ficou bom", destaca Márcia, a mãe dos gêmeos. Desde então, a família criou uma linha de montagem em casa. A mãe prepara as receitas, o pai ajuda a colocá-los no saquinho, Kauan amarra e Rhuan ensaca e sela com etiquetas com os nomes dos sabores. O trabalho muitas vezes segue até as duas horas da manhã. Todo o lucro obtido com as vendas é destinado às despesas com os atletas.

"Por viagem, a gente gasta em média mil reais, mas às vezes ultrapassa isso. Temos que pagar a inscrição, a passagem de ônibus, hospedagem e o que a gente vai comer lá", detalha Kauan. Neste fim de semana, os atletas foram para Maringá. As viagens mais dispendiosas são as realizadas para fora do Estado.

O investimento tem valido a pena. Ambos têm conquistado títulos nacionais e integrado a seleção brasileira. "Quando estou desmotivado, eu lembro de tudo o que passei para poder continuar. Passamos por dificuldades e, quando vem a vitória, ela chega com um gostinho a mais", relata Rhuan.

O técnico deles, Vagner Lopes, 30, ressalta que os gêmeos se tornaram motivação para atletas de fora. "Muitos param para tirar fotos com eles", destaca. "Eles possuem potencial para disputar o US Open no ano que vem e talvez até o Argentina Open este ano."

Londrina possui a Lei nº 11.263/2011, que determina que os créditos de milhagem das companhias aéreas ofertados quando as passagens são adquiridas com recursos públicos sejam utilizados em prol dos atletas locais. A reportagem entrou em contato com o presidente da FEL (Fundação de Esportes de Londrina), Fernando Madureira, para saber quantos atletas já tinham sido beneficiados por essa lei, mas ele afirmou que não a conhecia.

Campeã mundial de jiu-jitsu vende balas no semáforo em Curitiba

Rafael Costa
Rafael Costa


Curitiba - A carreira da lutadora londrinense de jiu-jitsu Mayara Custódio é vitoriosa. Em pouco mais de quatro anos de competições, a faixa roxa de 32 anos foi campeã mundial duas vezes e colheu títulos da América do Sul à Europa. Desde junho de 2018 vivendo em Curitiba, a atleta tem uma rotina puxada de treinos para conseguir este tipo de resultado. São cerca de seis horas de corrida e na academia ao longo de todo o dia.

Percorrer o circuito de competições internacionais, contudo, não depende só de talento: competir custa, e muito. Como é a realidade de outros atletas, Mayara não conta com patrocínio para competir no exterior e se vira como dá. Lança mão de rifas, vaquinhas online e outros meios. Mais recentemente, começou a chamar a atenção em um semáforo no bairro Água Verde, em Curitiba. De quimono, ela vende balas e recebe contribuições de motoristas sensibilizados com o projeto da atleta de continuar competindo no exterior e seguir progredindo na carreira, iniciada em 2014, ainda em Londrina.

O ponto escolhido pela atleta para vender as balas fica a poucos metros da academia Checkmat, onde treina, e a venda é feita em intervalos da rotina da atleta - tudo pensado para prejudicar o mínimo possível os treinos.

"O treinamento é o meu trabalho", diz Mayara. "Não posso ficar oito horas dentro de um supermercado, como ficava antes, ou vou regredir. Então vou lá, vendo as balas neste horário, não atrapalho os meus treinos e consigo continuar trabalhando", explica.

A próxima parada é o Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu em Long Beach, nos Estados Unidos, em maio. Mayara já conseguiu as passagens e agora arrecada para dar conta das despesas.

Ela tem conseguido juntar cerca de R$ 60 por dia com a venda das balas. "Criei uma relação com as pessoas que estão aqui. Muitas passam todos os dias e, depois de me ver algumas vezes, se interessaram em saber a minha história", conta. "Há quem contribua todos os dias", diz.

Embora a venda de balas em semáforos não pareça uma atividade própria de atletas de nível internacional, Mayara diz que está correndo atrás de um sonho e vê cada passo que precisa dar com naturalidade. "Todo mundo acha que deveria haver alguém para patrocinar. O ideal seria isso mesmo, seja o governo ou uma empresa privada. Como não tem, a gente precisa usar o que está à mão", conta a atleta.

"Quando vi que o jiu-jitsu era o que eu queria, comecei a me dedicar 100% a ele. Deixei meu emprego de promotora de merchandising, deixei a família e amigos para viver meu sonho", conta. "Quando pego algo para fazer, me dedico totalmente."

Mayara destaca o incentivo de seu professor, Sebastian Lalli, também presidente da Federação Paranaense de Jiu-Jitsu Brasileiro. Ele explica que a situação da londrinense não é diferente da enfrentada pela maioria dos lutadores.

"Sempre foi assim. Não é um esporte olímpico. Aí o pessoal corre atrás, porque as competições são realmente caras. Eles ainda não são faixas pretas, então é um momento de investir na carreira", conta Lalli. "A gente perde muitos atletas que poderiam estar disputando o Mundial com chances de vencer porque não têm condições de ir." Quem quiser ajudar a atleta pode acessar o endereço www.vakinha.com.br/vaquinha/mundial-de-jiu-jitsu-2019-mayara-monteiro-custodio.

Vaquinha virtual ajuda paratleta maringaense

Uma campanha de arrecadação de recursos tem como beneficiário o paratleta Adriano Correia Gonçalves dos Santos, 34 anos, medalhista de parabadminton em campeonatos regionais e nacionais. Morador de Maringá, ele possui uma prótese adquirida pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas não é adequada para a prática esportiva.

A campanha já arrecadou R$ 3.945 pelo site Vakinha (http://bit.do/eKKoc), mais R$ 5 mil da Liga das Atléticas de Londrina e outros R$ 2,5 mil em um campeonato de poker realizado para ajudar na arrecadação. A meta é atingir R$ 39 mil. A ideia da campanha partiu da estudante de ciências econômicas da UEM (Universidade Estadual de Maringá) Geovana Martins Luiz Bianchi Juliano, que faz estágio no Departamento de Educação Física da universidade. Ela levou a ideia para a reunião de planejamento anual da Associação Atlética Acadêmica XI de Setembro e, junto de Ana Ribeiro, diretora de ações sociais da entidade, deu início à mobilização.

O técnico do paratleta, Welton Gustavo de Souza Pintor, afirma que Santos se machuca muito por não ter uma prótese adequada. "Ele tem escoriações no joelho, não consegue se movimentar direito durante a partida em função disso", explica.

Santos relata que a prótese convencional não tem muita flexibilidade. "Se eu correr para trás, ela trava no chão, como já aconteceu várias vezes. Até caio", aponta. Além disso, ele sente dores no coto por causa da prótese convencional. "No ano passado, quando tirei a prótese após uma partida, estava sangrando muito. Achei que era suor, mas era sangue. Tinha cortado embaixo. Tenho vários cortes por causa disso, porque a força que eu faço acaba me machucando", diz o paratleta. Quem quiser ajudar pode acessar o site da Vakinha ou entrar em contato pelo telefone (41) 98791-3399.


Vítor Ogawa e Rafael Costa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA


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